Escolhi como título deste post o termo em Inglês ("Estamos grávidos!") pois é uma expressão que espelha
o modo como vejo a gravidez: uma bênção plantada no ventre da mulher, mas uma experiência intensa para ambos!
Efetivamente, não é só a mulher
que está grávida, mas o homem também! A responsabilidade é igual para ambos, as
emoções são intensas para ambos (ainda que experienciadas de formas
diferentes), o tempo demora a passar e as inseguranças e receios são
iguais para os dois.
Será que vou ser uma boa mãe/pai?
Será que o meu bebé vai gostar de mim? Será que vou conseguir responder às suas
necessidades? Será que vou conseguir prover tudo o que ele precisa para se
desenvolver bem? São questões comuns ao homem e mulher, ainda que com nuances
diferentes, pois a mulher tendencialmente pensará nos aspetos mais emocionais e
de cuidados básicos, enquanto o homem preocupar-se-á com aspetos relacionados
com transmissão de valores e providência dos meios necessários para assegurar o
bom desenvolvimento do/a seu/sua filho/a (por exemplo, ganhar dinheiro
suficiente para prover alimentos, estudos e bens materiais; ensinar a “sua”
arte: futebol, andebol, pesca, caça, etc.).
São variadíssimas as reações quando descobre que “está grávido”, pois cada pessoa reage consoante a sua
individualidade (o que inclui expectativas, experiências, níveis de ansiedade,
[pré]disposição, autoconfiança, autoestima, valores, etc.)! Se algumas pessoas
choram, emocionadas, quando olham para o resultado “positivo” de um teste de
gravidez, outros permanecem incrédulos e sem reação por algum tempo. Se alguns
saltam de alegria, outros ficam em “pânico” perguntando “e agora?”. Se alguns
contam ao mundo que irão ser papás e mamãs, outros guardam silêncio até ter
completa certeza que a gravidez é segura.
O que é interessante é que,
independentemente das reações, existe sempre uma emoção associada, sendo que
esta é quem vai guiar o comportamento dos visados e ajudá-los a prosseguir
nesta caminhada da parentalidade.
Apesar de defender que a gravidez
é de ambos, considero que a mulher desempenha um papel importante e distinto na
mesma, pois é quem “carrega” o novo ser e lhe transmite parte dos seus
nutrientes e células para que se desenvolva e cresça saudável. Assim, torna-se
importante que as mulheres que desejam engravidar (ou que descubram que estão
grávidas) se informem e tomem determinadas precauções para que tudo decorra
harmoniosamente e sem intercorrências.
Embora a gravidez seja um momento
de grande felicidade para o casal, é importante abordar uma possível e muito
dolorosa situação, infelizmente mais comum do que deveria: o aborto espontâneo
recorrente. Infelizmente, estima-se que o aborto espontâneo recorrente afeta
cerca de 1 a 3% dos casais em idade fértil[1].
Quando tal fatalidade acontece, procuram-se respostas e causas. Gera-se uma
crise no casal e na sua família alargada. Procuram-se “culpados”, “razões” e
significados para que tamanha violência tenha sucedido.
Barini e seus colegas
investigaram as causas do aborto espontâneo e verificaram que “em cerca de 30 a
40% das vezes, o aborto espontâneo é multicausal. Quando o diagnóstico e
tratamento são realizados de forma correta, cerca de 84% dos casais se tornam
pais após duas perdas consecutivas. Se o tratamento específico não for feito,
este índice cai para 30%”[2].
Estes mesmos autores definem várias classificações para o aborto
espontâneo:
·
Primário: sem parto anterior
·
Secundário: com pelo menos um parto anterior
·
Precoce: aborto ocorrido até às 12 semanas
·
Tardio: aborto ocorrido entre as 12 e as 20 semanas
Estabelecem, ainda, pelo menos oito as categorias das
possíveis causas para o aborto espontâneo:
1.
Anatómicas – constituem entre 1-10% dos casos e
causam abortos tardios. Estes problemas são corrigidos cirurgicamente.
2.
Hormonais – correspondem a 5% das situações,
sendo os problemas corrigidos com medicação apropriada.
3.
Genéticas – em 5% dos casos. É aconselhado que o
casal vá a uma consulta de aconselhamento genético antes de tentar engravidar
novamente para avaliação e acompanhamento.
4.
Infeciosas – tais como: clamídia, micoplasma,
ureaplasma, sífilis, citomegalovírus, gonococos, listeriose e brucelose.
5.
Ambientais – como por exemplo hábitos nocivos de
ingestão excessiva de café, álcool e tabaco, exposição a radiações fortes e
gases anestésicos.
6.
Imunológicas – doenças auto-imunes, por exemplo,
ou síndrome antifosfolípide que impede o crescimento intra-uterino (este último
constitui entre 5 a 10% dos casos).
7.
Trombofilia – adquirida ou hereditária.
8. Desconhecidas
– correspondem a cerca de 20 a 40% dos casos.
Independentemente das estatísticas, e apesar de
devermos estar conscientes da possibilidade da ocorrência de tal fatalidade,
não devemos iniciar uma gravidez obcecados com essa ideia. Como disse uma vez
Beyoncé, referindo-se à sua própria gravidez e aborto espontâneo prévio, refere
que não vale a pena tentar contrariar o que não tem de existir. Embora esta
afirmação não tenha suporte científico, têm um forte senso comum baseado em
crenças. Sabe-se que o psicológico influencia grandemente o físico, afectando-o.
Vejamos o exemplo das somatizações, isto é, frequentes dores, indisposições
físicas e mesmo doenças provocadas pelo foro emocional (portanto, psicológico).
Assim, é importante não permitir que o nosso psíquico afete o nosso físico, não
pensando demasiado nessa hipótese e descontraindo aquando da notícia de
gravidez.
O primeiro trimestre da gravidez (isto é, até às 13
semanas) é muito importante para a formação e desenvolvimento do feto. É quando
ocorrem mais mudanças no corpo da mulher e no próprio embrião. Normalmente a
gravidez é apenas detetada por volta das 4/5 semanas, quando existem alterações
hormonais significativas ao ponto de sinaliza-la. Nessa fase de gestação, as células dividem-se
incessantemente no útero, agrupando-se num pequeno embrião, mais ou menos do
tamanho de um caroço de maçã.
Os sintomas que acompanham o primeiro trimestre não são
iguais para todas as mulheres, dependo de inúmeros fatores, nomeadamente, de
fatores emocionais e situacionais. Podem combinar-se de inúmeras formas.
Seguem-se os 10 principais
sinais de gravidez:
1. Aumento significativo do apetite –
este aumento repentino do apetite pode, por si só, não significar que a mulher
esteja grávida. Apenas se estiver associado a um ou mais dos restantes sintomas
é que poderá ser motivo de “esperança”.
2. Escurecimento das auréolas mamárias
–pode também indicar algum desequilíbrio hormonal, ou ser efeito de uma
gravidez anterior. É necessário combinar este com mais sintomas.
3. Sangramentos irregulares e
cólicas – mesmo que já esteja grávida, cerca
de oito dias depois da ovulação, pode ser que existam pequenos sangramentos
vaginais, como no início da menstruação, e algumas cólicas. É um sinal de que o
zigoto (o óvulo fertilizado) se está a alojar no endométrio.
4.
Vontade frequente de
urinar – deve-se à implantação do embrião e produção da hormona gonadotropina
coriónica humana (hCG).
5. Aumento do cansaço e sono – a elevada concentração de
progesterona no organismo de uma grávida pode deixar a mulher mais cansada do
que o normal.
6. Inchaço e hipersensibilidade
mamária – este incómodo pode ser confundido com o que acontece antes da
menstruação. É necessário ter em conta mais sintomas associados.
7. Alteração no paladar e olfato – é
possível sentir um gosto metálico na boca e não tolerar alguns alimentos que
antes apreciava bastante. Alguns cheiros que antes passavam despercebidos podem
agora tornar-se insuportáveis.
8. Enjoos e náuseas – algumas grávidas apenas
começam a sentir-se nauseadas após várias semanas de gestação. Outras não
experienciam este sintoma. O enjoo pode surgir a qualquer hora do dia e piorar
quando o estomago está vazio.
9. Atraso menstrual – no caso de
ciclos menstruais regulares, o atraso menstrual é sinal evidente de gravidez.
10. Teste de gravidez positivo (teste
de urina adquirido na farmácia) – deteta a
presença do hCG no organismo, sendo que esta hormona só é produzida em caso de
gravidez. Se for feito numa fase muito precoce da gravidez, poderá surgir um
falso negativo.
Mas não é apenas a mulher que se
sente diferente. É possível que, ao descobrir que a sua parceira está grávida, o
futuro papá experiencie sentimentos de pânico, insegurança ou receio. “E agora?”,
é a pergunta mais comum nos homens quando descobre que irá ser pai. É natural
surgir um misto de felicidade e medo de falhar no seu papel de pai e
companheiro protetor. Pode parecer que o seu papel enquanto “provedor de vida”
terminou quando a finalidade da gravidez é atingida, no entanto, este
sentimento é totalmente falso. Continua a ser muito importante no processo e é
fundamental que a partir de agora cultive a paciência, tolerância e
compreensão, pois a sua mulher irá precisar bastante destes atributos!
Em baixo deixo o calendário da gravidez (dodot.com), incluindo todos os exames necessários e consultas nas várias fases. É útil para quem não sabe quando e o que fazer.


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