quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

“We’re pregnant!”

Escolhi como título deste post o termo em Inglês ("Estamos grávidos!") pois é uma expressão que espelha o modo como vejo a gravidez: uma bênção plantada no ventre da mulher, mas uma experiência intensa para ambos!
 
Efetivamente, não é só a mulher que está grávida, mas o homem também! A responsabilidade é igual para ambos, as emoções são intensas para ambos (ainda que experienciadas de formas diferentes), o tempo demora a passar e as inseguranças e receios são iguais para os dois.
 
Será que vou ser uma boa mãe/pai? Será que o meu bebé vai gostar de mim? Será que vou conseguir responder às suas necessidades? Será que vou conseguir prover tudo o que ele precisa para se desenvolver bem? São questões comuns ao homem e mulher, ainda que com nuances diferentes, pois a mulher tendencialmente pensará nos aspetos mais emocionais e de cuidados básicos, enquanto o homem preocupar-se-á com aspetos relacionados com transmissão de valores e providência dos meios necessários para assegurar o bom desenvolvimento do/a seu/sua filho/a (por exemplo, ganhar dinheiro suficiente para prover alimentos, estudos e bens materiais; ensinar a “sua” arte: futebol, andebol, pesca, caça, etc.).
 
São variadíssimas as reações quando descobre que “está grávido”, pois cada pessoa reage consoante a sua individualidade (o que inclui expectativas, experiências, níveis de ansiedade, [pré]disposição, autoconfiança, autoestima, valores, etc.)! Se algumas pessoas choram, emocionadas, quando olham para o resultado “positivo” de um teste de gravidez, outros permanecem incrédulos e sem reação por algum tempo. Se alguns saltam de alegria, outros ficam em “pânico” perguntando “e agora?”. Se alguns contam ao mundo que irão ser papás e mamãs, outros guardam silêncio até ter completa certeza que a gravidez é segura.
 
O que é interessante é que, independentemente das reações, existe sempre uma emoção associada, sendo que esta é quem vai guiar o comportamento dos visados e ajudá-los a prosseguir nesta caminhada da parentalidade.
 
Apesar de defender que a gravidez é de ambos, considero que a mulher desempenha um papel importante e distinto na mesma, pois é quem “carrega” o novo ser e lhe transmite parte dos seus nutrientes e células para que se desenvolva e cresça saudável. Assim, torna-se importante que as mulheres que desejam engravidar (ou que descubram que estão grávidas) se informem e tomem determinadas precauções para que tudo decorra harmoniosamente e sem intercorrências.
 
 
Quando a alegria se transforma em tristeza
 
Embora a gravidez seja um momento de grande felicidade para o casal, é importante abordar uma possível e muito dolorosa situação, infelizmente mais comum do que deveria: o aborto espontâneo recorrente. Infelizmente, estima-se que o aborto espontâneo recorrente afeta cerca de 1 a 3% dos casais em idade fértil[1]. Quando tal fatalidade acontece, procuram-se respostas e causas. Gera-se uma crise no casal e na sua família alargada. Procuram-se “culpados”, “razões” e significados para que tamanha violência tenha sucedido.

Barini e seus colegas investigaram as causas do aborto espontâneo e verificaram que “em cerca de 30 a 40% das vezes, o aborto espontâneo é multicausal. Quando o diagnóstico e tratamento são realizados de forma correta, cerca de 84% dos casais se tornam pais após duas perdas consecutivas. Se o tratamento específico não for feito, este índice cai para 30%”[2].

Estes mesmos autores definem várias classificações para o aborto espontâneo:

·         Primário: sem parto anterior

·         Secundário: com pelo menos um parto anterior

·         Precoce: aborto ocorrido até às 12 semanas

·         Tardio: aborto ocorrido entre as 12 e as 20 semanas

Estabelecem, ainda, pelo menos oito as categorias das possíveis causas para o aborto espontâneo:

1.       Anatómicas – constituem entre 1-10% dos casos e causam abortos tardios. Estes problemas são corrigidos cirurgicamente.

2.       Hormonais – correspondem a 5% das situações, sendo os problemas corrigidos com medicação apropriada.

3.       Genéticas – em 5% dos casos. É aconselhado que o casal vá a uma consulta de aconselhamento genético antes de tentar engravidar novamente para avaliação e acompanhamento.

4.       Infeciosas – tais como: clamídia, micoplasma, ureaplasma, sífilis, citomegalovírus, gonococos, listeriose e brucelose.

5.       Ambientais – como por exemplo hábitos nocivos de ingestão excessiva de café, álcool e tabaco, exposição a radiações fortes e gases anestésicos.

6.       Imunológicas – doenças auto-imunes, por exemplo, ou síndrome antifosfolípide que impede o crescimento intra-uterino (este último constitui entre 5 a 10% dos casos).

7.       Trombofilia – adquirida ou hereditária.

8.       Desconhecidas – correspondem a cerca de 20 a 40% dos casos.
Independentemente das estatísticas, e apesar de devermos estar conscientes da possibilidade da ocorrência de tal fatalidade, não devemos iniciar uma gravidez obcecados com essa ideia. Como disse uma vez Beyoncé, referindo-se à sua própria gravidez e aborto espontâneo prévio, refere que não vale a pena tentar contrariar o que não tem de existir. Embora esta afirmação não tenha suporte científico, têm um forte senso comum baseado em crenças. Sabe-se que o psicológico influencia grandemente o físico, afectando-o. Vejamos o exemplo das somatizações, isto é, frequentes dores, indisposições físicas e mesmo doenças provocadas pelo foro emocional (portanto, psicológico). Assim, é importante não permitir que o nosso psíquico afete o nosso físico, não pensando demasiado nessa hipótese e descontraindo aquando da notícia de gravidez.
 
Primeiro Trimestre[3]
O primeiro trimestre da gravidez (isto é, até às 13 semanas) é muito importante para a formação e desenvolvimento do feto. É quando ocorrem mais mudanças no corpo da mulher e no próprio embrião. Normalmente a gravidez é apenas detetada por volta das 4/5 semanas, quando existem alterações hormonais significativas ao ponto de sinaliza-la. Nessa fase de gestação, as células dividem-se incessantemente no útero, agrupando-se num pequeno embrião, mais ou menos do tamanho de um caroço de maçã.
Os sintomas que acompanham o primeiro trimestre não são iguais para todas as mulheres, dependo de inúmeros fatores, nomeadamente, de fatores emocionais e situacionais. Podem combinar-se de inúmeras formas.
Seguem-se os 10 principais sinais de gravidez:
1.       Aumento significativo do apetite – este aumento repentino do apetite pode, por si só, não significar que a mulher esteja grávida. Apenas se estiver associado a um ou mais dos restantes sintomas é que poderá ser motivo de “esperança”.
 
2.      Escurecimento das auréolas mamárias –pode também indicar algum desequilíbrio hormonal, ou ser efeito de uma gravidez anterior. É necessário combinar este com mais sintomas.
 
3.       Sangramentos irregulares e cólicas – mesmo que já esteja grávida, cerca de oito dias depois da ovulação, pode ser que existam pequenos sangramentos vaginais, como no início da menstruação, e algumas cólicas. É um sinal de que o zigoto (o óvulo fertilizado) se está a alojar no endométrio.
 
4.       Vontade frequente de urinar – deve-se à implantação do embrião e produção da hormona gonadotropina coriónica humana (hCG).
 
5.       Aumento do cansaço e sono – a elevada concentração de progesterona no organismo de uma grávida pode deixar a mulher mais cansada do que o normal.
 
6.       Inchaço e hipersensibilidade mamária – este incómodo pode ser confundido com o que acontece antes da menstruação. É necessário ter em conta mais sintomas associados.
 
7.       Alteração no paladar e olfato – é possível sentir um gosto metálico na boca e não tolerar alguns alimentos que antes apreciava bastante. Alguns cheiros que antes passavam despercebidos podem agora tornar-se insuportáveis.
 
8.       Enjoos e náuseas – algumas grávidas apenas começam a sentir-se nauseadas após várias semanas de gestação. Outras não experienciam este sintoma. O enjoo pode surgir a qualquer hora do dia e piorar quando o estomago está vazio.
 
9.       Atraso menstrual – no caso de ciclos menstruais regulares, o atraso menstrual é sinal evidente de gravidez.
 
10.   Teste de gravidez positivo (teste de urina adquirido na farmácia) – deteta a presença do hCG no organismo, sendo que esta hormona só é produzida em caso de gravidez. Se for feito numa fase muito precoce da gravidez, poderá surgir um falso negativo.
 
 
Mas não é apenas a mulher que se sente diferente. É possível que, ao descobrir que a sua parceira está grávida, o futuro papá experiencie sentimentos de pânico, insegurança ou receio. “E agora?”, é a pergunta mais comum nos homens quando descobre que irá ser pai. É natural surgir um misto de felicidade e medo de falhar no seu papel de pai e companheiro protetor. Pode parecer que o seu papel enquanto “provedor de vida” terminou quando a finalidade da gravidez é atingida, no entanto, este sentimento é totalmente falso. Continua a ser muito importante no processo e é fundamental que a partir de agora cultive a paciência, tolerância e compreensão, pois a sua mulher irá precisar bastante destes atributos!

Em baixo deixo o calendário da gravidez (dodot.com), incluindo todos os exames necessários e consultas nas várias fases. É útil para quem não sabe quando e o que fazer.


 





[1] Barini et al. (2006). Revisão sobre as Diferentes Etiologias no Aborto Espontâneo Recorrente. Femina, 34 (8):533-536.*


[2] Barini et al., 2006: 533.*
[3] Site BabyCenter e Crescer.Sapo

 

*Para consultar algum artigo referido, por favor contactar-me e eu terei todo o prazer em enviar.

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