Quando um casal inicia a jornada
da parentalidade, é natural alterarem-se vários aspetos da sua vida individual
e em comum. Falo em “vida individual” pois considero que um casal não tem
necessariamente de se anular enquanto indivíduo com o seu tempo, os seus gostos
pessoais, as suas necessidades próprias, mas tem se adaptar ao tempo, gostos e
necessidades do/a seu/sua parceiro/a. Só assim resultará a fusão “num só”,
juntando as duas metades num círculo perfeito!
As diferenças entre homem e
mulher são, atualmente, bem conhecidas por todos. O autor Miguel Midões (2008)
escreveu um artigo muito interessante acerca da comunicação entre homem e
mulher[1].
Nele são referenciadas algumas questões às quais se procura responder: 1) Porque
é que as mulheres falam tanto? 2) Porque é que as mulheres querem sempre falar
sobre problemas? 3) Porque é que as mulheres exageram? 4) Porque é que as
mulheres nunca vão diretas ao assunto? 5) Porque é que as mulheres querem saber
os mínimos detalhes?
Midões (2008) procura dar
respostas a estas perguntas através de resultados de estudos científicos e evidências
históricas. Primeiro, centra-se no facto de o cérebro da mulher ter mais competências
ao nível das funções da fala e linguagem. Alguns estudos revelam que o cérebro
da mulher consegue produzir, sem esforço, entre 6 a 8 mil palavras faladas por
dia, enquanto o do homem apenas consegue entre 2 a 4 mil palavras. Esta é uma
das razões que explica por que a mulher fala muito mais do que um homem em
qualquer situação. Como o cérebro dos homens não possui grandes aptidões para o
discurso, esta dificuldade origina graves problemas de comunicação entre estes
e as mulheres.
A nível histórico, estas
diferenças explicam-se com base nas funções do homem e da mulher nas sociedades
primitivas. Nos tempos pré-históricos, a função dos homens encontrava-se essencialmente
ligada à caça e pesca, duas atividades que exigem bastante concentração,
silêncio e objetividade na captura das presas. Pelo contrário, a função das
mulheres era ficar nos agrupamentos, cozinhar e cuidar das crianças. Assim, o homem
habituou-se a resolver problemas enquanto a mulher apenas desabafava com as
outras mulheres.
É, portanto, natural que numa
situação normal de comunicação entre homem e mulher, esta lhe peça a opinião.
Honrado em poder ser útil, o homem prontamente se apressa a tentar resolver o
problema da mulher, a qual apenas se queria sentir compreendida e interpreta
este ato valoroso como uma afronta por parte de um “macho dominante” que quer ter
sempre razão e mostrar-lhe que ela está sempre errada. Ou seja, é tão fácil
iniciar-se uma grande discussão quando o objetivo inicial seria apenas
conversar!
Estes detalhes são apenas uma
ínfima parte das diferenças entre homem e mulher[2].
No seu livro “Os homens são de Marte, as mulheres de Vénus”, John Gray aborda
de uma forma bastante acessível e original os diferentes pensamentos e
comportamentos dos homens e mulheres, comparando-os a habitantes de diferentes
planetas. Aconselho a todos a sua leitura, pois mesmo que não se aplique em
todas as situações, ajuda-nos a refletir sobre atitudes e valores que, em muito,
divergem.
Voltando à parentalidade, e uma vez
tomada a decisão consciente de aumentar a família e iniciado o processo ativo
para que tal aconteça, é necessário falar novamente em mudança. Desta vez
trata-se de uma mudança não apenas de valores e ideais, mas sobretudo mudanças
hormonais e emocionais, sobretudo na mulher.
A suspensão do método
contracetivo utilizado implica uma grande alteração hormonal, a qual poderá
causar alguns sintomas na mulher como problemas na pele, queda de cabelo,
irregularidade nos ciclos menstruais, intensificação das dores/cólicas menstruais,
alterações e aumento do muco vaginal[3].
A nível emocional, são grandes as
transformações na mulher. Para além da enorme ansiedade, a qual leva à compra
de um teste de gravidez sempre que a menstruação atrasa um ou dois dias e
gigantesca deceção por sangrar horas após ter feito esse teste e ter dado um
esperançoso “negativo” (pois há sempre a esperança de ser “falso negativo”),
aumentam a irritabilidade, insegurança e receios de não poder ser mãe. Muitas
vezes essas inseguranças, medos e frustrações são descontadas no parceiro, o
qual não entende o motivo de tanto stress e se sente incapaz de satisfazer as
necessidades da sua mulher, o que leva a um desequilíbrio na harmonia entre o
casal.
Para atenuar estes sintomas,
sobretudo iniciados na e pela mulher, é importante tomar algumas medidas
preventivas:
1) Inicie
a toma de alguns suplementos alimentares (devidamente prescritos pelo
obstetra), os quais equilibrarão os valores hormonais e reduzirão as
consequências a nível físico
2) Procure
manter-se ocupada com algo que lhe dê prazer. Se gosta de desporto, aumente as
horas no ginásio (sempre que possível); se gosta de música, procure ir a mais
concertos, ouvir uma música que a deixe relaxada e que aumente os níveis de
serotonina no cérebro pelo bem-estar que lhe provoca ao ouvi-la; se gosta de
cozinhar, esmere-se experimentando receitas novas e mais complexa e sinta-se
orgulhosa pelos seus resultados; se gosta de chocolate, permita-se comer um
quadrado de chocolate preto por dia, pois aumenta os níveis de serotonina no
cérebro e a deixará mais satisfeita; se é religiosa, refugie-se na leitura de
passagens bíblicas que lhe transmitam confiança e ânimo, medite, ore, reflita
sobre o que está a sentir e registe os seus pensamentos; se gosta de escrever,
escreva um diário em que desabafa silenciosamente os seus receios, as suas
incertezas, os seus sonhos e frustrações, não esquecendo as situações positivas
que lhe acontecem todos os dias; se gosta de arte, pinte, desenhe, liberte-se
nas cores e formas produzidas por movimentos amplos e desinibidos, vá a museus
e contemple a beleza de novas expressões; se gosta de teatro e cinema, procure
as peças e filmes que mais lhe despertem atenção; se gosta de viajar, procure
passar um fim de semana num parque de campismo ou hotel, saia de casa e visite
novas localidades perto ou longe da sua residência; se é mais extrovertida,
combine saídas com os seus amigos, ria-se com eles e divirta-se enquanto conversam
ou dançam animadamente.
3) Valorize
o seu corpo. Sinta-se bem como está. Pesquise sobre as novas tendências de
moda, corte ou pinte o cabelo, recicle aquelas calças que já não gosta ou
aquela blusa tão simples que já não usa há muito tempo. Olhe-se ao espelho e
procure os seus pontos fortes em vez dos menos fortes! Esses, disfarce com
maquilhagem, um penteado diferente ou roupa que a favoreça! Não se esqueça que
o seu parceiro a escolheu para gerar uma vida nova e esse é o maior elogio que
uma mulher pode ter da parte do homem!
4) Seja
sincera e honesta com o seu parceiro. Sempre que não estiver disposta a ter
intimidade com ele ou sempre que se sentir mais triste, seja honesta e diga-lhe
o quanto o ama e o quão importante é para si. Acima de tudo, não lhe esconda
como se sente, pois isso será a maior deslealdade que lhe poderá fazer.
Cada um tem o seu tempo
biológico, psicológico e real. A combinação dos três nem sempre é imediata. É
preciso que todos quantos querem ser mamãs e papás o entendam e aceitem com
naturalidade. Quando há harmonia entre o nosso tempo e o tempo do nosso
parceiro, algo mágico e divino acontece. Ambas as sementes se fundem e
implantam no ventre materno, abençoado para o efeito, e inicia uma nova Vida.
Maravilhoso!
[2] Ver
também estes artigos*:
Poeschl, G., Múrias, C.
& Ribeiro, R. (2003). As diferenças entre os sexos: Mito ou realidade?
Análise
Psicológica, 2 (XXI): 213-228.
Latronico, A. C. (2005). Por
Que os Homens São Tão Diferentes das Mulheres? Arquivo Brasileiro Endocrinol Metabólico, 49 (1): 5-6.
*Se alguém
quiser os artigos em PDF, contacte-me via email e eu enviarei.
[3] Ministério
da Saúde. (2001). Saúde Reprodutiva:
Planeamento Familiar. Edições da Direção Geral do Ministério da Educação.
Site de Planeamento Familiar da Sapo, disponível em http://linhaplaneamentofamiliar.blogs.sapo.pt/232581.html?view=964997
Site da Dr.ª Flávia Fairbanks (ginecologista e
obstetra), disponível em http://www.flaviafairbanks.com.br/Publica%C3%A7%C3%B5es/alteracoes-hormonais-na-mulher.html

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