terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Novas mudanças...Nova Vida

Quando um casal inicia a jornada da parentalidade, é natural alterarem-se vários aspetos da sua vida individual e em comum. Falo em “vida individual” pois considero que um casal não tem necessariamente de se anular enquanto indivíduo com o seu tempo, os seus gostos pessoais, as suas necessidades próprias, mas tem se adaptar ao tempo, gostos e necessidades do/a seu/sua parceiro/a. Só assim resultará a fusão “num só”, juntando as duas metades num círculo perfeito!

As diferenças entre homem e mulher são, atualmente, bem conhecidas por todos. O autor Miguel Midões (2008) escreveu um artigo muito interessante acerca da comunicação entre homem e mulher[1]. Nele são referenciadas algumas questões às quais se procura responder: 1) Porque é que as mulheres falam tanto? 2) Porque é que as mulheres querem sempre falar sobre problemas? 3) Porque é que as mulheres exageram? 4) Porque é que as mulheres nunca vão diretas ao assunto? 5) Porque é que as mulheres querem saber os mínimos detalhes?

Midões (2008) procura dar respostas a estas perguntas através de resultados de estudos científicos e evidências históricas. Primeiro, centra-se no facto de o cérebro da mulher ter mais competências ao nível das funções da fala e linguagem. Alguns estudos revelam que o cérebro da mulher consegue produzir, sem esforço, entre 6 a 8 mil palavras faladas por dia, enquanto o do homem apenas consegue entre 2 a 4 mil palavras. Esta é uma das razões que explica por que a mulher fala muito mais do que um homem em qualquer situação. Como o cérebro dos homens não possui grandes aptidões para o discurso, esta dificuldade origina graves problemas de comunicação entre estes e as mulheres.

A nível histórico, estas diferenças explicam-se com base nas funções do homem e da mulher nas sociedades primitivas. Nos tempos pré-históricos, a função dos homens encontrava-se essencialmente ligada à caça e pesca, duas atividades que exigem bastante concentração, silêncio e objetividade na captura das presas. Pelo contrário, a função das mulheres era ficar nos agrupamentos, cozinhar e cuidar das crianças. Assim, o homem habituou-se a resolver problemas enquanto a mulher apenas desabafava com as outras mulheres.

É, portanto, natural que numa situação normal de comunicação entre homem e mulher, esta lhe peça a opinião. Honrado em poder ser útil, o homem prontamente se apressa a tentar resolver o problema da mulher, a qual apenas se queria sentir compreendida e interpreta este ato valoroso como uma afronta por parte de um “macho dominante” que quer ter sempre razão e mostrar-lhe que ela está sempre errada. Ou seja, é tão fácil iniciar-se uma grande discussão quando o objetivo inicial seria apenas conversar!

Estes detalhes são apenas uma ínfima parte das diferenças entre homem e mulher[2]. No seu livro “Os homens são de Marte, as mulheres de Vénus”, John Gray aborda de uma forma bastante acessível e original os diferentes pensamentos e comportamentos dos homens e mulheres, comparando-os a habitantes de diferentes planetas. Aconselho a todos a sua leitura, pois mesmo que não se aplique em todas as situações, ajuda-nos a refletir sobre atitudes e valores que, em muito, divergem.

Voltando à parentalidade, e uma vez tomada a decisão consciente de aumentar a família e iniciado o processo ativo para que tal aconteça, é necessário falar novamente em mudança. Desta vez trata-se de uma mudança não apenas de valores e ideais, mas sobretudo mudanças hormonais e emocionais, sobretudo na mulher.

A suspensão do método contracetivo utilizado implica uma grande alteração hormonal, a qual poderá causar alguns sintomas na mulher como problemas na pele, queda de cabelo, irregularidade nos ciclos menstruais, intensificação das dores/cólicas menstruais, alterações e aumento do muco vaginal[3].  

A nível emocional, são grandes as transformações na mulher. Para além da enorme ansiedade, a qual leva à compra de um teste de gravidez sempre que a menstruação atrasa um ou dois dias e gigantesca deceção por sangrar horas após ter feito esse teste e ter dado um esperançoso “negativo” (pois há sempre a esperança de ser “falso negativo”), aumentam a irritabilidade, insegurança e receios de não poder ser mãe. Muitas vezes essas inseguranças, medos e frustrações são descontadas no parceiro, o qual não entende o motivo de tanto stress e se sente incapaz de satisfazer as necessidades da sua mulher, o que leva a um desequilíbrio na harmonia entre o casal.

Para atenuar estes sintomas, sobretudo iniciados na e pela mulher, é importante tomar algumas medidas preventivas:

1)      Inicie a toma de alguns suplementos alimentares (devidamente prescritos pelo obstetra), os quais equilibrarão os valores hormonais e reduzirão as consequências a nível físico

2)      Procure manter-se ocupada com algo que lhe dê prazer. Se gosta de desporto, aumente as horas no ginásio (sempre que possível); se gosta de música, procure ir a mais concertos, ouvir uma música que a deixe relaxada e que aumente os níveis de serotonina no cérebro pelo bem-estar que lhe provoca ao ouvi-la; se gosta de cozinhar, esmere-se experimentando receitas novas e mais complexa e sinta-se orgulhosa pelos seus resultados; se gosta de chocolate, permita-se comer um quadrado de chocolate preto por dia, pois aumenta os níveis de serotonina no cérebro e a deixará mais satisfeita; se é religiosa, refugie-se na leitura de passagens bíblicas que lhe transmitam confiança e ânimo, medite, ore, reflita sobre o que está a sentir e registe os seus pensamentos; se gosta de escrever, escreva um diário em que desabafa silenciosamente os seus receios, as suas incertezas, os seus sonhos e frustrações, não esquecendo as situações positivas que lhe acontecem todos os dias; se gosta de arte, pinte, desenhe, liberte-se nas cores e formas produzidas por movimentos amplos e desinibidos, vá a museus e contemple a beleza de novas expressões; se gosta de teatro e cinema, procure as peças e filmes que mais lhe despertem atenção; se gosta de viajar, procure passar um fim de semana num parque de campismo ou hotel, saia de casa e visite novas localidades perto ou longe da sua residência; se é mais extrovertida, combine saídas com os seus amigos, ria-se com eles e divirta-se enquanto conversam ou dançam animadamente.

3)      Valorize o seu corpo. Sinta-se bem como está. Pesquise sobre as novas tendências de moda, corte ou pinte o cabelo, recicle aquelas calças que já não gosta ou aquela blusa tão simples que já não usa há muito tempo. Olhe-se ao espelho e procure os seus pontos fortes em vez dos menos fortes! Esses, disfarce com maquilhagem, um penteado diferente ou roupa que a favoreça! Não se esqueça que o seu parceiro a escolheu para gerar uma vida nova e esse é o maior elogio que uma mulher pode ter da parte do homem!

4)      Seja sincera e honesta com o seu parceiro. Sempre que não estiver disposta a ter intimidade com ele ou sempre que se sentir mais triste, seja honesta e diga-lhe o quanto o ama e o quão importante é para si. Acima de tudo, não lhe esconda como se sente, pois isso será a maior deslealdade que lhe poderá fazer.

Cada um tem o seu tempo biológico, psicológico e real. A combinação dos três nem sempre é imediata. É preciso que todos quantos querem ser mamãs e papás o entendam e aceitem com naturalidade. Quando há harmonia entre o nosso tempo e o tempo do nosso parceiro, algo mágico e divino acontece. Ambas as sementes se fundem e implantam no ventre materno, abençoado para o efeito, e inicia uma nova Vida. Maravilhoso!



[1] Midões, M. (2008). Comunicação Homem – Mulher: guerra ou diálogo*.
[2] Ver também estes artigos*:
Poeschl, G., Múrias, C. & Ribeiro, R. (2003). As diferenças entre os sexos: Mito ou realidade? Análise Psicológica, 2 (XXI): 213-228.
Latronico, A. C. (2005). Por Que os Homens São Tão Diferentes das Mulheres? Arquivo Brasileiro Endocrinol Metabólico, 49 (1): 5-6.
 
*Se alguém quiser os artigos em PDF, contacte-me via email e eu enviarei.
[3] Ministério da Saúde. (2001). Saúde Reprodutiva: Planeamento Familiar. Edições da Direção Geral do Ministério da Educação.
Site de Planeamento Familiar da Sapo, disponível em http://linhaplaneamentofamiliar.blogs.sapo.pt/232581.html?view=964997
Site da Dr.ª Flávia Fairbanks (ginecologista e obstetra), disponível em http://www.flaviafairbanks.com.br/Publica%C3%A7%C3%B5es/alteracoes-hormonais-na-mulher.html
 

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