domingo, 5 de janeiro de 2014

Decisões importantes: ter ou não um filho

Para muitos, o nascimento de um filho é considerado algo inato à constituição de uma família. Muitas mulheres (mais frequente em mulheres do que em homens) sonham a maternidade, mesmo antes de terem um companheiro estável e que as trate como merecem.

Iniciei o Blog abordando o conceito de família, pois este é fundamental para a preparação da chegada de um bebé! O que nós acreditamos, os nossos pensamentos e expectativas em relação à vida são o principal motor dos nossos comportamentos e, por sua vez, desencadeiam consequências em consonância com os mesmos.

Alguns estudos indicam que, quando os pais colaboram no sentido de promover uma atmosfera de respeito mútuo e equilíbrio emocional as crianças sentem-se mais confiantes e positivas acerca de si mesmas, logo, as aprendizagens são facilitadas e o desenvolvimento ocorre com maior naturalidade[1].

Outros estudos debruçaram-se sobre os processos familiares, afirmando que “a qualidade da relação parental e a presença de discórdia no ambiente familiar são fatores associados à etiologia de distúrbios emocionais na criança e no adolescente”[2]. Ou seja, existe uma associação geral entre o conflito conjugal (discórdia de ideias, valores, etc.) e as dificuldades no ajustamento infantil, pois estas situações resultam numa alteração das práticas educativas parentais as quais, por sua vez, afetam o desenvolvimento da criança. Para além disso, verificou-se que determinadas características destas situações de conflito encontram-se diretamente relacionadas com o desenvolvimento da criança[3].

Assim, antes de decidir aumentar a família, é fundamental que o casal analise bem o seu relacionamento, colocando algumas questões-chave:

·         Como me sinto no relacionamento com o/a meu/minha parceiro/a? 1) Completamente satisfeito/feliz; 2) Bastante Satisfeito/feliz; 3) Moderadamente satisfeito/feliz ou 4) Não muito satisfeito/feliz[4]

·         Que aspetos do nosso relacionamento a dois ainda não se encontram totalmente resolvidos/ajustados?

·         Que mudanças são necessárias da minha/sua parte para que me sinta mais satisfeito/feliz?

·         Será que nos encontramos os dois no mesmo patamar emocional, financeiro (estabilidade no emprego ou definição de carreira profissional), maturação (nos homens geralmente o desejo de paternidade surge numa idade mais tardia do que nas mulheres)[5], social (amizades e necessidade de estar com os amigos), espiritual (crenças), moral (valores)?

·         Como resolvemos os nossos problemas/divergências? Conversamos, discutimos (como?), separamo-nos (“damos um tempo”), resolvemos tudo antes de nos deitar ou “dormimos sobre o assunto” sem mais lhe “tocar”, conseguimos ambos pedir desculpas e reconhecer quando erramos?

Estas questões são imprescindíveis para avaliar o nosso relacionamento antes de decidir ter um bebé, pois ao contrário do que muitos poderão pensar, adicionar mais um elemento a uma relação instável não irá unir mas separar ainda mais o casal.

Por isso, se sentirmos que a relação se encontra numa fase onde a harmonia e equilíbrio reinam, poderá ser um bom indício para o aumento do núcleo familiar. Nunca esquecer que este deve ser um sentimento mútuo, partilhado por ambos os elementos do casal. A decisão nunca poderá vir apenas de uma das partes, caso contrário o nascimento de uma criança poderá arruinar de vez o pouco que existe entre os dois.

Um bebé pode ser uma bênção quando um casal se sente tão feliz e unido que deseja ardentemente ampliar essa felicidade ao ponto de gerar um milagre: o milagre da VIDA!





[1] KEAP. The Early Years Foundation Stage. (2007). Effective practice: Parents as Partners.
[2]Benetti, S. (2006). Conflito Conjugal: Impacto no Desenvolvimento Psicológico da Criança e do Adolescente. Psicologia: Reflexão e Crítica, 19 (2):261-268.
[3] Ibid.
[4] Classificações utilizadas por Moore, Kinghorn, e Bandy (2011), no seu estudo sobre a qualidade do relacionamento parental e seu resultado nas crianças. Disponível em http://www.childtrends.org/wp-content/uploads/2011/04/Child_Trends-2011_04_04_RB_MaritalHappiness.pdf
[5] Gabriel, M. R. & Dias, A. C. G. (2011). Percepções sobre a paternidade: descrevendo a si mesmo e o próprio pai como pai. Estudos de Psicologia, 16 (3): 253-261.

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