Iniciei o Blog abordando o
conceito de família, pois este é fundamental para a preparação da chegada de um
bebé! O que nós acreditamos, os nossos pensamentos e expectativas em relação à
vida são o principal motor dos nossos comportamentos e, por sua vez,
desencadeiam consequências em consonância com os mesmos.
Alguns estudos indicam que,
quando os pais colaboram no sentido de promover uma atmosfera de respeito mútuo
e equilíbrio emocional as crianças sentem-se mais confiantes e positivas acerca
de si mesmas, logo, as aprendizagens são facilitadas e o desenvolvimento ocorre
com maior naturalidade[1].
Outros estudos
debruçaram-se sobre os processos familiares, afirmando que “a qualidade da
relação parental e a presença de discórdia no ambiente familiar são fatores associados
à etiologia de distúrbios emocionais na criança e no adolescente”[2].
Ou seja, existe uma associação geral entre o conflito conjugal (discórdia de
ideias, valores, etc.) e as dificuldades no ajustamento infantil, pois estas
situações resultam numa alteração das práticas educativas parentais as quais,
por sua vez, afetam o desenvolvimento da criança. Para além disso, verificou-se
que determinadas características destas situações de conflito encontram-se
diretamente relacionadas com o desenvolvimento da criança[3].
Assim, antes
de decidir aumentar a família, é fundamental que o casal analise bem o seu
relacionamento, colocando algumas questões-chave:
·
Como me
sinto no relacionamento com o/a meu/minha parceiro/a? 1) Completamente
satisfeito/feliz; 2) Bastante Satisfeito/feliz; 3) Moderadamente satisfeito/feliz
ou 4) Não muito satisfeito/feliz[4]
·
Que aspetos
do nosso relacionamento a dois ainda não se encontram totalmente
resolvidos/ajustados?
·
Que mudanças
são necessárias da minha/sua parte para que me sinta mais satisfeito/feliz?
·
Será que nos
encontramos os dois no mesmo patamar emocional, financeiro (estabilidade no
emprego ou definição de carreira profissional), maturação (nos homens
geralmente o desejo de paternidade surge numa idade mais tardia do que nas
mulheres)[5],
social (amizades e necessidade de estar com os amigos), espiritual (crenças),
moral (valores)?
·
Como
resolvemos os nossos problemas/divergências? Conversamos, discutimos (como?),
separamo-nos (“damos um tempo”), resolvemos tudo antes de nos deitar ou “dormimos
sobre o assunto” sem mais lhe “tocar”, conseguimos ambos pedir desculpas e
reconhecer quando erramos?
Estas
questões são imprescindíveis para avaliar o nosso relacionamento antes de
decidir ter um bebé, pois ao contrário do que muitos poderão pensar, adicionar
mais um elemento a uma relação instável não irá unir mas separar ainda mais o
casal.
Por isso, se
sentirmos que a relação se encontra numa fase onde a harmonia e equilíbrio
reinam, poderá ser um bom indício para o aumento do núcleo familiar. Nunca
esquecer que este deve ser um sentimento mútuo, partilhado por ambos os
elementos do casal. A decisão nunca poderá vir apenas de uma das partes, caso
contrário o nascimento de uma criança poderá arruinar de vez o pouco que existe
entre os dois.
Um bebé pode
ser uma bênção quando um casal se sente tão feliz e unido que deseja
ardentemente ampliar essa felicidade ao ponto de gerar um milagre: o milagre da
VIDA!
[1] KEAP. The Early Years Foundation Stage. (2007). Effective practice: Parents as Partners.
[2]Benetti, S.
(2006). Conflito Conjugal: Impacto no Desenvolvimento Psicológico da Criança e
do Adolescente. Psicologia: Reflexão e
Crítica, 19 (2):261-268.
[3] Ibid.
[4] Classificações utilizadas por Moore, Kinghorn,
e Bandy (2011), no seu estudo sobre a qualidade do relacionamento parental e
seu resultado nas crianças. Disponível em http://www.childtrends.org/wp-content/uploads/2011/04/Child_Trends-2011_04_04_RB_MaritalHappiness.pdf
[5]
Gabriel, M. R. & Dias, A. C. G.
(2011). Percepções sobre a paternidade: descrevendo a si mesmo e o próprio pai
como pai. Estudos de Psicologia, 16 (3): 253-261.

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