sábado, 22 de março de 2014

Aproveitando a gravidez… ou talvez não

Na sociedade atual é natural que a mulher trabalhe fora de casa. Esta ideia, contudo, nem sempre foi pacífica pois os papéis sociais associados aos sexos feminino e masculino diferiam muito no início do século XX. As mulheres ficavam em casa com os filhos enquanto os homens trabalhavam fora de casa. Com o início da era industrial, as famílias migraram do campo para as periferias das cidades, necessitando ajustar-se à vida nas mesmas e ao trabalho nas fábricas.

A Primeira Guerra Mundial veio, igualmente, alterar a posição da mulher na sociedade laboral. Uma vez que os homens combatiam ativamente nas frentes da Grande Guerra, as mulheres (sobretudo as de classes sociais mais elevadas e, portanto, mais instruídas e permeáveis às mudanças) começaram a ocupar o lugar dos homens quer nas fábricas, quer na gestão de empresas e saúde. Quando a Guerra terminou, as mulheres não quiseram voltar à vida anterior de dependência económica dos maridos, e permaneceram nos cargos ocupados durante a Guerra. Iniciou-se o movimento feminista e emancipação da mulher, deixando esta de ser a humilde dona de casa que trabalha e vive para a família[1].

Ao falar do trabalho da mulher fora de casa, abordamos alguns aspetos como a autonomia financeira da mulher, a gestação e criação de filhos, a sua relação com o cônjuge, a partilha da renda familiar, os sentimentos de culpa pela ausência no lar, a falta de tempo para si mesma, entre outros. De facto, a produtividade económica atual apenas considera uma mulher como sendo “trabalhadora” se esta exerce a sua atividade fora de casa, ou seja, quando a sua atividade é remunerada.

 Infelizmente, a sociedade deixou de valorizar e reconhecer o trabalho que as mulheres desempenham dentro de casa. O cuidado pela casa, roupa, alimentação, educação e cuidado dos filhos, organização e gestão dos assuntos relativos à casa e a dedicação ao marido deixaram de ser encarados como “trabalho” e são considerados uma obrigação da mulher enquanto esposa e mãe. Assim, para além da sua profissão que lhe ocupa entre 8 a 10 horas diárias (muitas vezes mais), a mulher ainda se deve preocupar em ir buscar os filhos à escola, cuidar da sua higiene e alimentação, ajudá-los nos trabalhos de casa, entretê-los, estimulá-los, dar-lhes carinho e atenção (quando tem uma pilha enorme de roupa para passar a ferro e um lavatório cheio de loiça, um frigorífico e uma despensa por encher, panelas ao lume, pó nos móveis e cotão pelo chão bem como, muitas vezes, um cão/gato/pássaro/etc. para tratar). Será justo?

 Não estou, com este discurso, a diminuir o trabalho do homem nem a sua função no lar pois em muitos casos os papéis invertem-se e é este que tem a responsabilidade redobrada de cuidar da família e trazer sustento financeiro para casa. No entanto, a minha visão é que se perdeu o sentido real de “cuidado” pela família! É praticamente impossível, quer para a mulher quer para o homem, realizar tantas tarefas em simultâneo… pelo menos ser bem sucedida/o em todas! Há sempre algo que é descurado, infelizmente, o mais comum é a educação e cuidados emocionais aos filhos e marido/esposa pois estes aspetos são os que menor impacto têm na saúde física a curto prazo (embora os seus efeitos a longo prazo na saúde emocional e psicológica sejam brutais).

 A rotina familiar passou a ser um contra-relógio! Por exemplo, numa família cujos pais tenham um horário de trabalho fora de casa das 9h às 17h (o que raramente acontece) a rotina pode ser a seguinte:

- Despertar dos pais às 6h15/6h30 e respectiva higiene e pequeno almoço

- Despertar das crianças às 7h/7h15, seguido da higiene e pequeno almoço (entre birras e protestos por não querer acordar ou vestir algo) com a ajuda e supervisão dos pais;

- Saída de casa rumo às escolas por volta das 8h/8h30 (pois iniciam às 8h30/9h);

- Entrada no trabalho às 9h;

- Pausa para almoço das 13h – 14h (almoço em 15/20 minutos e rápida corrida aos bancos ou supermercado para comprar pão ou alguma coisa para fazer o jantar);

- Regresso ao trabalho até às 17h (muitas vezes estendido até às 18h ou 18h30 para resolver assuntos pendentes urgentes e/ou reuniões de última hora);

- Saída apressada para ir buscar as crianças ao ATL ou escola (stressando com o incrível trânsito a essa hora!);

- Transporte das crianças até casa ouvindo o seu dia e pedidos (“tenho fome”, “quero um jogo/brinquedo”…), com possível paragem num café para comprar o bolo ou gelado que é solicitado incessantemente (a esta hora a paciência começa a escassear e há-que resolver os “problemas” rapidamente para não entrar em “surto”);

- Chegada a casa por volta das 19h, banho (sob vários protestos) e trabalhos de casa (que tantas vezes dizem já ter feito mas quando revemos apercebemo-nos que não os fizeram…ou pelo menos não prestaram atenção aos mesmos… e queremos fazer “boa figura” enquanto pais dedicados e vigilantes na educação escolar dos nossos filhos!);

- Enquanto fazemos o jantar, as crianças assistem aos desenhos animados preferidos e/ou brincam;

- O cônjuge chega, dá um beijo rápido nos filhos e no/a parceiro/a, pois tem de ajudar a por a mesa;

- Às 20h/20h30 serve-se o jantar ouvindo as notícias no jornal da noite enquanto as crianças teimam em não querer comer a sopa/legumes/salada/peixe;

- Sem insistir muito, deixa-se as crianças continuar a brincar mais um pouco antes de ir para a cama enquanto o casal termina de comer e conversa durante uns 20/30 minutos;

- Um dos pais lança o ultimato para arrumarem os brinquedos e ir para a cama por volta das 21h15, pois já sabe que o ritual do deitar se prolongará por mais 30 minutos (no mínimo), entre protestos e “arrastar” das crianças para a casa de banho (pois têm de escovar os dentes e fazer os xixis da noite) e, depois, para a cama. Entretanto, o/a outro/a parceiro/a arruma a cozinha, prepara a roupa, lanches e mochila dos filhos para o dia seguinte;

- Por volta das 21h45/22h as crianças estão deitadas e pedem uma história, que é rapidamente lida pelo/a pai/mãe que ainda tem de rever um assunto pendente do trabalho ou passar a ferro;

- Finalmente, as crianças adormecem e os pais podem retomar as suas atividades “pendentes” até às 23h/23h30, altura em que estão tão cansados que assim que se deitam adormecem, deixando a intimidade para outro dia, ou para o fim de semana.

 

A sua realidade pode assemelhar-se, ou não, a este retrato geral. De facto, se os pais pensam que no fim de semana terão mais oportunidades para nutrir o seu relacionamento afetivo com o/a seu/sua parceiro/a, enganam-se pois as crianças exigem muita atenção! Para além disso, há que visitar os pais (avós) e amigos próximos que não param de convidar para um almoço/lanche.

 Efetivamente, não é fácil ser mulher neste contexto! Não é fácil, também, ser homem! A verdade é que a sociedade teceu uma rede de compromissos e obrigações que nos afastam uns dos outros e do nosso propósito máximo de sermos mães e pais atentos e presentes na vida dos nossos filhos! Podemos até estar presentes fisicamente uma boa parte do tempo, mas a presença emocional e disponibilidade em ouvir (com ouvidos reais!) o que as crianças têm para nos contar é, muitas vezes, nula devido ao cansaço extremo e preocupações da vida quotidiana!

Para uma mulher grávida, iniciam-se as preocupações quanto ao futuro! O que fazer depois do fim da licença de maternidade? Onde colocar o/a meu/minha filho/a? Como responder às suas necessidades? Será que vou conseguir conciliar o meu trabalho e a minha responsabilidade de mãe e mulher? Como manter o meu casamento? Como ter tempo para mim?

 Estas preocupações podem, a maior parte das vezes, desviar a atenção da grávida para este momento tão único e especial! Embora sejam preocupações legítimas e de extrema importância, não se deixe afetar com esse sofrimento por antecipação! Pense no tesouro que carrega dentro de si e procure gravar bem na sua memória estes momentos para que, quando as preocupações da “vida real” iniciarem, se lembre do que a motivou durante 9 meses! Procure namorar muito, reforçar os laços com o seu marido! Procure ter tempo para si, para se mimar e perseguir sonhos! Procure recarregar as baterias afetivas, pois estas reservas serão cruciais para não entrar em depressão pós-parto!

 

Acima de tudo, lembre-se o quão maravilhosa é e o quão especial é por ter gerado uma VIDA dentro de si!






[1] Pigatto et al. (2009). A emancipação feminina perante as novas perspetivas do século XXI. X Salão de Iniciação Científica – PUCRS, pp. 1987-1989.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Segundo Trimestre













Segundo Trimestre: o que acontece dentro da mulher entre a 14ª semana de gestação e a 27ª semana?[1]

14ª Semana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
O seu bebé mede cerca de 9 cm de comprimento (da cabeça ao final da coluna) e pesa sensivelmente 45 g.
 
O corpo agora cresce mais depressa do que a cabeça. A pele ainda é fina como um papel de seda e encontra-se coberta de lanugo (um pêlo finíssimo e macio que costuma desaparecer antes do nascimento). As sobrancelhas e o cabelo começam a surgir, mas o cabelo pode mudar de cor e de textura depois do nascimento.

Nesta fase, o feto consegue fazer os movimentos de agarrar, franzir as sobrancelhas e fazer caretas. Talvez possa chupar o dedo e o cordão umbilical. Alguns investigadores acreditam que esses e outros movimentos correspondam ao desenvolvimento dos primeiros impulsos neuronais no cérebro.
 

Se ainda não fez a medição da translucência da nuca (para detetar anomalias genéticas como Síndrome de Down, por exemplo), faça-o agora pois o período recomendado para realizar este exame termina esta semana.

É possível que seja recomendada a realização de uma amniocentese entre a 15ª e a 18ª semanas, sobretudo se a mamã tiver mais de 35 anos de idade, familiares com Síndrome de Down ou existir alguma suspeita de anomalia genética no feto.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para a mamã
Este não é um bom momento para se preocupar com o seu peso. O importante é ter uma alimentação saudável e variada, sem deixar de comer, especialmente quando estiver com fome. Lembre-se de que o aumento de peso progressivo é um sinal positivo de que sua gravidez está a correr bem e que o seu bebé está a crescer. No entanto, não alimente a ideia de que tem de “comer por dois”, pois esta é totalmente errada! Se aumentar demasiado de peso correrá mais riscos de vir a ter diabetes gestacional e necessitar tomar insulina.
O sangramento das gengivas é uma queixa comum entre as grávidas. Se este for o seu caso, não se assuste mas também não ignore. Marque uma consulta com o seu dentista, já que sangramento também pode ser sinal de alguma infeção, algo nada desejável durante a gravidez. Lembre-se de avisar o seu dentista sobre o facto de estar grávida, assim evitará tirar radiografias a não ser que absolutamente necessário.
Aproveite os cheque-dentista que o Sistema Nacional de Saúde tem para lhe oferecer. Informe-se no seu Centro de Saúde e peça-o ao seu médico de família.
 
Se sangrar do nariz, não se assuste. É outro dos sintomas normais durante a gravidez, pois existe um maior fluxo sanguíneo dentro de si e algumas veias finas e mais sensíveis (como o caso das nasais) poderão não ceder ao maior afluxo de sangue e rebentar, causando frequentes hemorragias nasais. Poderá consultar um médico otorrino para queimar as veias e estancar as hemorragias.
 
 
 
Para o papá
A barriga da sua mulher já começa a crescer. Aproveite para tirar muitas fotografias e relembra-la o quão bonita está, grávida! Não se esqueça de mimar a barriga e falar com o/a seu/sua filho/a diariamente. Embora ainda não o consiga ouvir, o bebé sente que se passa algo através das emoções da mãe. Se esta estiver feliz, o seu bebé também estará!
 
15ª Semana
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
Mesmo que ainda não consiga sentir, o seu pequeno hóspede tem soluços com frequência. Isso acontece com todos os bebés mesmo antes de respirarem, não saindo nenhum som já que a traqueia está preenchida de líquido em vez de ar.

Embora provavelmente já tenha engordado entre 2 e 5 quilos, o seu feto não pesa mais que 70 gramas, medindo agora cerca de 11 cm de comprimento (da cabeça ao final da espinha).  

As suas pernas estão a ficar mais compridas do que os braços, as unhas já estão completamente formadas e todas as articulações funcionam. Agora talvez já possa descobrir o sexo do bebé numa ecografia, pois os órgãos genitais externos podem encontrar-se suficientemente desenvolvidos para serem distinguidos.
 
 
 
 
 
Para a mamã
Se, até agora, a ideia de ter um filho parecia muito distante, nada como sentir os movimentos do bebé pela primeira vez para torná-la mais real. A maioria das futuras mamãs consegue distinguir os movimentos entre a 16ª e a 22ª semana. Se esta não é sua primeira gravidez, talvez consiga ter esta sensação mais cedo. Poderá, inicialmente, pensar que os movimentos que sente são meros “gases” nos seus intestinos, porém, na verdade são cambalhotas do seu bebé.

Anote o momento em que sentiu o bebé se mexer pela primeira vez e reporte-o ao médico na próxima consulta.
 
Este estágio intermediário da gravidez é um excelente momento para começar a realizar exercício físico moderado. São aconselháveis modalidades aquáticas (natação, hidroginástica) e modalidades de tonificação e postura (pilates, pilates com bola, ioga, etc.).
 
Se se sentir muito cansada ao longo do dia, procure fazer uma sesta. Pode ser à hora de almoço, 15 minutos antes ou depois de almoçar. Verá que estes minutos de descanso irão revigora-la para o resto do dia de trabalho.
 
As alterações hormonais podem levar a mudanças no paladar, e aqueles alimentos que detestava podem ser os que lhe sabem melhor, agora. Poderá sentir alguns “desejos” inesperados. Avalie a qualidade dos mesmos e decida quais quer satisfazer. Lembre-se que, depois de o bebé nascer, os quilos a mais permanecerão consigo.
 
 
Para o papá
Alguns desejos da sua mulher poderão parecer-lhe absurdos. Ajude-a a moderar o seu apetite, levando-a a passear um pouco no final do dia. Acompanhe-a no exercício físico. Esta atividade em conjunto pode ser um bom momento de reaproximação do casal.
16ª Semana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O seu bebé tem, mais ou menos, cerca de 12 centímetros (da cabeça até final da espinha), pesando aproximadamente 100 gramas.

Nas próximas semanas irá crescer muito rapidamente, dobrando o tamanho e peso.
 
Os bebés gostam de brincar, mesmo dentro da barriga das suas mamãs. Nesta altura, os principais brinquedos são as mãos, os pés e o cordão umbilical, o qual gostam de puxar e chuchar.
 
O sistema circulatório e urinário estão em plenas condições de funcionamento, e o bebé inala e exala líquido amniótico pelos pulmões.
 
 
 
Para a mamã
Pode ser que de vez em quando sinta uma dor nas laterais do corpo, ao fazer movimentos bruscos. Tal acontece porque os ligamentos laterais do útero e das paredes pélvicas estão a ser esticadas devido ao crescimento rápido do seu bebé. É normal sentir alguma dor, contudo, se se sentir continuamente dorida ou se o desconforto for piorando, fale com seu médico.
 
Tenha especial cuidado com o sol, pois poderá ganhar algumas manchas na pele por demasiada exposição solar. Use protetor solar na cara quando sair de casa, e não se exponha demasiado ao sol nas horas de maior calor.
 
O desconforto físico está, agora, a diminuir, levando a que a sua líbido aumente gradualmente. Aproveite para mimar o seu marido nesta altura, pois brevemente o centro das vossas atenções deixará de ser um ao outro para passar a ser o bebé.
 
 
Para o papá
A sua mulher está cada vez mais bonita e menos indisposta. Aproveite para oferecer-lhe aquele fim de semana que tanto desejou. Aproveite a sua companhia e atenção totais! Em breve, quando o vosso bebé nascer, deixarão de ser a prioridade um do outro e focar-se-ão mais no novo elemento do vosso lar.
 
17ª Semana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O seu bebé mede agora quase 13 cm (da cabeça até final da espinha), e pesa aproximadamente 140 gramas.

O esqueleto é formado por uma cartilagem ainda flexível, que vai-se tornando mais rija com o tempo. Uma substância protetora chamada mielina começa a envolver, aos poucos, a espinal medula.
 
 
 
 
 
 
Para a mamã
Por causa do crescimento do útero, o seu centro de gravidade modificou-se. Portanto, é provável que experiencie sensações de desequilíbrio ou vertigens. Tenha cuidado e prefira sapatos de salto raso.
 
É possível que o seu sono se altere Poderá sentir maior congestão nasal, sonhos estranhos e cãibras. Aumente a ingestão de magnésio (por exemplo, coma uma banana todas as manhãs) e caminhe durante o dia. Estas mudanças simples poderão trazer algum conforto.
 
Esta é a altura em que os médicos solicitam uma amniocentese. Este exame é apenas utilizado em casos específicos pois é bastante invasiva. Procure seguir todas as recomendações do seu médico nesse caso.
 
Poderá sentir que a sua roupa já não lhe serve. Vá às compras com uma amiga, mãe ou irmã(s). Opte pela roupa que lhe servirá depois da gravidez. Se comprar calças de ganga, prefira as que também poderá utilizar depois de ter o seu filho. Por exemplo, se tiver possibilidade opte pelas calças de ganga “Maternity”, da Salsa (http://www.salsastore.com/pt/index.php?id=45&f=710&pid=25412#Jeans-&-Calças-Mulher-Jeans-Maternity-Hope-com-cintura-dupla-e-perna-justa). Se preferir marcas mais baratas, opte pelas calças da H&M (http://www.hm.com/pt/product/16668?article=16668-A&cm_vc=SIMILAR_TO_PD#). Tem, ainda, a opção das roupas em segunda mão pelo site da OLX ou aceitando “ofertas” de amigas que já tiveram os seus bebés e não precisam da roupa que usavam enquanto estavam grávidas.
Acima de tudo, opte pelo conforto e bem estar. À medida que a barriga cresce, o desconforto no baixo ventre vai aumentando e a tolerância a “elásticos” apertados nessa zona também. Lembre-se desse detalhe quando escolher as roupas.
 
 
 
Para o papá
Este é o momento ideal para viajar. Se decidir fazê-lo de avião, consulte as sua políticas de voo e peça autorização ao seu médico para poderem viajar. Tenha, no entanto, sempre algumas precauções: peçam sumos ou bebidas sem gelo, bebam sempre por uma palhinha, coma apenas comida cozinhada e evitem as saladas e frutas com casca. Usem protetor solar e repelente de insetos.
Acima de tudo, aproveitem para namorar muito e tirar muitas fotografias como recordação destes últimos momentos a dois.
 
18ª e 19ª Semanas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O bebé mede cerca de 14 cm (da cabeça até final da espinha) e pesa quase 200 gramas.
O peito do bebé imita o movimento da respiração, no entanto, o que ele inspira é o líquido amniótico.
 
Normalmente entre 18 e 22 semanas, os médicos costumam pedir novos exames sanguíneos para acompanhar, com maior detalhe, o crescimento e o desenvolvimento do bebé e a sua condição física.
 

 
 
 
Para a mamã
 
Poderá reparar que o seu cabelo está diferente. Mais forte e brilhante. Aproveite este “estado de graça” e tire partido disso para aumentar a sua autoestima.
 
Se este não é o seu caso, lembre-se que é especial e abençoada por poder gerar uma vida dentro de si. Aproveite o mimo dos seus parentes e amigos.
20ª Semana
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
Chegou a meio da gestação! O seu bebé já tem os órgãos praticamente todos formados e está apenas a aumentar de peso. Mede agora cerca de 17 cm (da cabeça até ao final da espinha).
 
Uma substância espessa e gordurosa, chamada vérnix, envolve todo o bebé e protege a pele da imersão no líquido amniótico. Esta camada também ajuda o parto normal.
 
O bebé engole mais líquido agora, num bom treino para o sistema digestivo. Depois de ingerir o líquido, o corpo do bebé absorve a água e transfere o restante para o intestino grosso. O que não é absorvido é novamente expelido para o líquido amniótico, sendo reciclado.
 
 
Para os papás
 
 
 
 
Para a mamã
 
Uma boa forma de se preparar para o parto e conhecer todas as opções é fazer um curso de preparação para o parto. Existem vários, sendo que poderão ser privados ou promovidos pelos centros de saúde ou unidades de saúde familiar. Informe-se junto do seu médico ou médico de família de modo a inscrever-se e frequentar as aulas necessárias antes de ter o bebé. Estas aulas iniciam-se, normalmente, por volta das 28 semanas, e são ótimas para o casal.
 
Procure obter ferro suficiente na sua alimentação, pois o bebé precisa dele para produzir glóbulos vermelhos, entre outros, e assim oxigenar mais o sangue. Se não toma suplementos vitamínicos, questione o seu médico sobre essa necessidade. Poderá encontrar ferro em alguns alimentos, como a carne vermelha magra (vaca), frango, peixe, lentilhas, brócolos e espinafres.
 
21ª Semana
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O feto pesa cerca de 360 gramas, e mede aproximadamente 27 cm. A partir desta semana a medição passa a ser feita do alto da cabeça até o calcanhar.

As sobrancelhas e pálpebras já estão formadas, e as pontas dos dedos já têm unhas.
 

 
Para os papás
 
 
Para as mamãs
 
Pode parecer inacreditável, mas o seu bebé já é capaz de ouvir as vossas vozes. Por isso, podem conversar com ele sem medo de se sentir “tolos”. Podem até cantar e ler histórias.

Talvez esta seja a época mais agradável da gravidez. Ainda não está demasiado pesada e os incómodos mais comuns do início da gestação já terão passado (dependendo das mulheres). Relaxe e aproveite o máximo que puder. O terceiro trimestre está quase a chegar e, com ele, mais alguns desconfortos.
 
22ª Semana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O bebé é agora uma versão mais magrinha de um recém-nascido. Pesa cerca de 430 gramas, e mede um pouco mais que 27 centímetros no total.
 
O corpo do bebé tem as proporções certas, mas ele ainda tem de engordar bastante. Enquanto isso não acontece, a pele é enrugada. Os lábios e os olhos estão formados, embora a íris ainda não tenha pigmentos. O pâncreas, essencial para a produção de hormonas, continua a desenvolver-se.
 

 
Esta é também a altura de fazer a ecografia morfológica. Esta permite detetar sinais de problemas congénitos, avaliar a placenta e o cordão umbilical e verificar se a idade gestacional está correta
Durante o exame, poderá ver o bebé dar pontapés, tentar agarrar o cordão, virar-se ou até chuchar o dedo. Os ecografistas costumam entregar fotos do bebé aos pais e gravar o exame guardarem como recordação.

Se ainda não conseguiu ver o sexo do seu bebé, este exame é uma boa oportunidade para o descobrir. Se for uma menina, a vagina, o útero e as tubas uterinas já estão no lugar certo. Se for menino, os órgãos genitais serão bem fáceis de reconhecer.
 
 
 
Para a mamã
 
A esta altura, já deve ter engordado entre 5 e 7 quilos. A partir de agora, o aumento de peso deve ser de pouco mais de 200 gramas por semana. Pode ser que surjam vontades súbitas de comer alguma coisa, e possa notar um aumento na secreção vaginal, embora sem a presença de sangue. As duas coisas são normais na gravidez.
23ª Semana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O bebé pesa pouco mais de meio quilo, e tem cerca de 29 cm de comprimento.

A audição já funciona, e ele consegue ouvir a sua voz, os seus batimentos cardíacos e os barulhos do sistema digestivo e sanguíneo. Outros barulhos altos que forem frequentes durante a gravidez, como o latido de um cão ou um secador de cabelo não devem incomodar o bebé quando ele os ouvir fora do útero.
 
Além dos progressos na audição do bebé, os pulmões estão a desenvolver-se, também, e preparar-se para respirar. Ele continua a engolir líquido.

Se por algum motivo tivesse que nascer agora, o seu bebé teria uma pequena hipótese de sobreviver (cerca de 16 % em hospitais muito bem equipados e centros de referência), desde que com o atendimento médico adequado.

Cada dia a mais no útero faz diferença neste estágio. Se nascer com 24 semanas, a hipótese de sobrevivência, numa unidade neonatal de alta qualidade, seria de 44 %.
 
 
 
Para a mamã
 
Vários estudos já deram indicações de que os fetos preferem música clássica no útero, e um dos compositores testados e aprovados foi Vivaldi.
 
Oiça As Quatro Estações (Vivaldi) e preste atenção nos movimentos que ele faz. Verifique se ele fica mais sossegado nos trechos mais lentos, de adagio, e se demonstra maior agitação nos trechos mais movimentados, de allegro. Estimule-o com música.
 
É bem provável que se esteja a sentir algo desajeitada por causa da mudança no seu centro de gravidade. Talvez sangre das gengivas ou do nariz, e talvez o seu umbigo tenha resolvido “saltar para fora”. Não se preocupe. Ele vai voltar ao lugar pouco tempo depois do parto.
 
24ª – 25ª Semana
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O feto pesa mais de 600-700 gramas. É ainda um bebé muito magrinho e a sua pele é muito fina e frágil, mas as proporções do corpo já se aproximam às de um bebé recém-nascido.

O seu pequeno cérebro está a crescer rapidamente, e o espaço dentro do útero começa a ser totalmente preenchido. Se por acaso você entrar em trabalho de parto nesta fase, os médicos farão de tudo para contê-lo, para que o seu bebé tenha mais hipóteses de sobrevivência.
 
 
 
Para a mamã
 
Pode ser que apareçam linhas claras, avermelhadas ou acastanhadas na sua barriga, nas coxas e nos seios: as temidas estrias. São muito comuns neste estágio da gravidez e- afetam cerca de 90 % das mulheres. Depois do parto, a pigmentação avermelhada ou acastanhada das estrias vai desaparecendo, ficando linhas mais claras do que o resto da pele.
 
Previna as estrias utilizando cremes gordos hidratantes de manhã e à noite.
 
Pode ser que sinta, ainda, algum desconforto ocular. Utilize lágrimas artificiais para melhorar a sensação de ardor ou secura.
 
Use uma faixa lombar ou cinta, que poderá comprar numa farmácia. Esta ajudará a reduzir as dores lombares e desconforto abdominal. Tenha especial cuidado com os esforços que faz. Procure levantar-se suavemente das cadeiras e cama, utilizando o apoio dos braços para o fazer. Quando precisar alcançar algo em sítios baixos, agache-se. Se precisar fazê-lo em sítios altos, utilize o pé de apoio dianteiro, de modo a não se esticar demasiado.
 
Se tem outros filhos, tenha cuidado ao pegar neles ao colo. Procure fazê-lo sentada ou apoiada e não durante muito tempo. Procure outras formas de lhes dar carinho e afeto. Acima de tudo, não “culpe” o/a irmão/irmã, pois só aumentará a rivalidade entre ambos.
 
26ª Semana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O tamanho do seu bebé é de 36 cm. Os seus olhos começam a abrir-se dentro de si.

A reação a sons torna-se mais constante no final do sétimo mês, quando a rede de nervos que vai até o ouvido se encontra concluída.
 
 
 
Para a mamã
 
O seu bebé continua a crescer muito depressa, sendo que o desenvolvimento do cérebro é bastante intenso. Por isso, a sua nutrição é importantíssima. Continue com uma dieta equilibrada e variada, comendo muitos grãos, verduras e legumes. Prefira alimentos ricos em fibras, como pão, cereal e arroz integrais, que são ricos em vitamina B e ajudam a aliviar o intestino preso.
 
27ª Semana
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desenvolvimento do bebé
 
 
 
O cérebro do bebé encontra-se bastante ativo. Os sulcos característicos da superfície cerebral começam a aparecer, e continua a desenvolver-se mais tecido cerebral.

Se sentir movimentos ritmados dentro da sua barriga, pode estar certa de que são soluços, comuns ao longo de toda a gravidez. As crises de soluço não costumam durar muito tempo, e a sensação pode ser estranha, mas é mais engraçada que desagradável.

O seu útero já se encontra expandido até a caixa torácica, o que explica a eventual falta de ar que possa estar a começar a sentir.
 
 
Para a mamã
 
A partir de agora você se sente mais pesada, e nos últimos três meses da gravidez pode sofrer alguns outros incómodos como cãibras nas pernas, hemorróidas, varizes e coceira na barriga.

Se o seu tipo de sangue é Rh-negativo, o seu médico deverá mandar fazer um exame para detetar anticorpos anti-Rh, também chamados de anti-D, e aplicar uma injeção para combater a incompatibilidade e evitar problemas com o bebé. Talvez o médico indique a repetição desta injeção às 36 semanas.
 

 

 

 





[1] Sites BabyCentre e Crescer.Sapo
Deans, A. (2004). Your Pregnancy Bible. London: Carroll & Brown Publishers Limited.