Na sociedade atual é natural que
a mulher trabalhe fora de casa. Esta ideia, contudo, nem sempre foi pacífica
pois os papéis sociais associados aos sexos feminino e masculino diferiam muito
no início do século XX. As mulheres ficavam em casa com os filhos enquanto os
homens trabalhavam fora de casa. Com o início da era industrial, as famílias
migraram do campo para as periferias das cidades, necessitando ajustar-se à
vida nas mesmas e ao trabalho nas fábricas.
A Primeira Guerra Mundial veio,
igualmente, alterar a posição da mulher na sociedade laboral. Uma vez que os
homens combatiam ativamente nas frentes da Grande Guerra, as mulheres
(sobretudo as de classes sociais mais elevadas e, portanto, mais instruídas e
permeáveis às mudanças) começaram a ocupar o lugar dos homens quer nas
fábricas, quer na gestão de empresas e saúde. Quando a Guerra terminou, as
mulheres não quiseram voltar à vida anterior de dependência económica dos
maridos, e permaneceram nos cargos ocupados durante a Guerra. Iniciou-se o
movimento feminista e emancipação da mulher, deixando esta de ser a humilde
dona de casa que trabalha e vive para a família[1].
Ao
falar do trabalho da mulher fora de casa, abordamos alguns aspetos como a autonomia
financeira da mulher, a gestação e criação de filhos, a sua relação com o cônjuge,
a partilha da renda familiar, os sentimentos de culpa pela ausência no lar, a
falta de tempo para si mesma, entre outros. De facto, a produtividade económica
atual apenas considera uma mulher como sendo “trabalhadora” se esta exerce a
sua atividade fora de casa, ou seja, quando a sua atividade é remunerada.
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Despertar dos pais às 6h15/6h30 e respectiva higiene e pequeno almoço
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Despertar das crianças às 7h/7h15, seguido da higiene e pequeno almoço (entre
birras e protestos por não querer acordar ou vestir algo) com a ajuda e
supervisão dos pais;
- Saída
de casa rumo às escolas por volta das 8h/8h30 (pois iniciam às 8h30/9h);
- Entrada
no trabalho às 9h;
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Pausa para almoço das 13h – 14h (almoço em 15/20 minutos e rápida corrida aos
bancos ou supermercado para comprar pão ou alguma coisa para fazer o jantar);
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Regresso ao trabalho até às 17h (muitas vezes estendido até às 18h ou 18h30
para resolver assuntos pendentes urgentes e/ou reuniões de última hora);
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Saída apressada para ir buscar as crianças ao ATL ou escola (stressando com o
incrível trânsito a essa hora!);
-
Transporte das crianças até casa ouvindo o seu dia e pedidos (“tenho fome”, “quero
um jogo/brinquedo”…), com possível paragem num café para comprar o bolo ou
gelado que é solicitado incessantemente (a esta hora a paciência começa a
escassear e há-que resolver os “problemas” rapidamente para não entrar em “surto”);
-
Chegada a casa por volta das 19h, banho (sob vários protestos) e trabalhos de
casa (que tantas vezes dizem já ter feito mas quando revemos apercebemo-nos que
não os fizeram…ou pelo menos não prestaram atenção aos mesmos… e queremos fazer
“boa figura” enquanto pais dedicados e vigilantes na educação escolar dos
nossos filhos!);
- Enquanto
fazemos o jantar, as crianças assistem aos desenhos animados preferidos e/ou
brincam;
- O
cônjuge chega, dá um beijo rápido nos filhos e no/a parceiro/a, pois tem de
ajudar a por a mesa;
- Às
20h/20h30 serve-se o jantar ouvindo as notícias no jornal da noite enquanto as
crianças teimam em não querer comer a sopa/legumes/salada/peixe;
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Sem insistir muito, deixa-se as crianças continuar a brincar mais um pouco
antes de ir para a cama enquanto o casal termina de comer e conversa durante
uns 20/30 minutos;
- Um
dos pais lança o ultimato para arrumarem os brinquedos e ir para a cama por
volta das 21h15, pois já sabe que o ritual do deitar se prolongará por mais 30
minutos (no mínimo), entre protestos e “arrastar” das crianças para a casa de
banho (pois têm de escovar os dentes e fazer os xixis da noite) e, depois, para
a cama. Entretanto, o/a outro/a parceiro/a arruma a cozinha, prepara a roupa,
lanches e mochila dos filhos para o dia seguinte;
-
Por volta das 21h45/22h as crianças estão deitadas e pedem uma história, que é
rapidamente lida pelo/a pai/mãe que ainda tem de rever um assunto pendente do
trabalho ou passar a ferro;
-
Finalmente, as crianças adormecem e os pais podem retomar as suas atividades “pendentes”
até às 23h/23h30, altura em que estão tão cansados que assim que se deitam
adormecem, deixando a intimidade para outro dia, ou para o fim de semana.
A
sua realidade pode assemelhar-se, ou não, a este retrato geral. De facto, se os
pais pensam que no fim de semana terão mais oportunidades para nutrir o seu
relacionamento afetivo com o/a seu/sua parceiro/a, enganam-se pois as crianças
exigem muita atenção! Para além disso, há que visitar os pais (avós) e amigos
próximos que não param de convidar para um almoço/lanche.
Para
uma mulher grávida, iniciam-se as preocupações quanto ao futuro! O que fazer
depois do fim da licença de maternidade? Onde colocar o/a meu/minha filho/a?
Como responder às suas necessidades? Será que vou conseguir conciliar o meu
trabalho e a minha responsabilidade de mãe e mulher? Como manter o meu
casamento? Como ter tempo para mim?
Acima
de tudo, lembre-se o quão maravilhosa é e o quão especial é por ter gerado uma
VIDA dentro de si!
[1] Pigatto
et al. (2009). A emancipação feminina perante as novas perspetivas do século
XXI. X Salão de
Iniciação Científica – PUCRS, pp. 1987-1989.












