Aproxima-se o grande dia… aumenta
a ansiedade e a vontade de te conhecer! 38 Semanas aproximam-se e as contrações
começam a aumentar na dor e intensidade…
Falo contigo diariamente perguntando-te:
“Quando queres que te conheçamos, bebé?” Digo-te o quão ansiosos estamos por te
abraçar e dar as boas vindas à nossa família!
Passeio pelo teu quartinho, já decorado
e pronto a te receber. Lavo, passo, dobro e arrumo as tuas roupinhas, sorrindo
e imaginando o quão lindo ficarás nelas! As malas já estão prontas… são três:
uma para o bebé, uma para a mamã e outra para o parto…
Nas aulas de preparação para o
parto apenas consigo ter dúvidas sobre como identificar os sinais do parto… Tenho
pavor em não os perceber e, ou ir demasiado cedo ou demasiado tarde para o
hospital!
O papá também está muito ansioso
em te conhecer! Fala contigo todos os dias junto à enorme barriga! Diz: “Gonçalo
anda cá para fora! Queremos conhecer-te!” E tu respondes com uma simpática pirueta
no meu ventre!
As noites são um pesadelo! Estás
cada vez mais encaixado na minha pélvis e fazes muita pressão nos rins e
bexiga! Levanto-me a cada hora para ir à casa de banho. Já não tenho posição
para dormir… nem a almofada de amamentação entre as pernas resulta! Durante a
noite acordo com uma espécie de contrações… são as contrações de treinamento
que me avisam que queres nascer em breve.
Conto os dias que faltam para as
40 semanas e confiro as mudanças de lua… Sim. Há uma lua cheia dia 14 de maio… será
nessa noite que quererás nascer? Isso precede as 40 semanas, mas confesso que
estou demasiado ansiosa por te conhecer para poder esperar mais duas semanas
que sejam!
Falo com outras grávidas que
estão na mesma fase do que eu. Falamos sobre as nossas ansiedades, sobre os
receios de sermos mamãs. Confessamos gostar muito de estar grávidas e
sentimo-nos um pouco culpadas por hesitar face à possibilidade de vos ter nos
braços, preferindo o “conforto” da mobilidade e liberdade de estarmos grávidas!
Mas essas sensações e receios desaparecem quando imaginamos o que será ter-vos
junto ao nosso peito e poder envolver-nos com o nosso amor!
Caminho bastante na praia e na
rua para facilitar a tua “descida”! Bebo o chá de flor de framboesa, que tanto
detesto, dizem que faz bem ao trabalho de parto e aumenta as contrações.
Estou atenta à cueca, e vejo que
começa a sair uma espécie de corrimento gelatinoso e esbranquiçado. Será o
rolhão? Telefono para as enfermeiras que conheço para tirar dúvidas e
confirma-se: é o rolhão! Será hoje? Será amanhã? Será depois? O teu papá
conta-me as histórias das colegas de trabalho: uma pariu no dia em que lhe saiu
o rolhão, outra três dias depois… Mas, e eu? Quando chegará a minha vez?
Continuo a falar contigo, mas a
cada dia que passa estou mais ansiosa! Quero viver tudo intensamente! Quero
muito viver um parto feliz e suave. Na água! Falamos nisso durante toda a
gravidez, frequentamos as aulas de preparação para o parto e de preparação
aquática. Terei esse privilégio? Estranhamente, uma imagem vazia encaixa-se na
minha mente quando penso no parto, mas ignoro-a e penso que será “bom”!
Tiramos as últimas fotografias,
pois já não resta muito tempo “com a barriga”! Escolhemos um bom fotógrafo para
isso e marcamos uma sessão no campo e na praia, onde criamos um quadro único e
especial cujo foco principal é uma barriga saliente e redondinha.
À medida que os dias passam e tu
não decides nascer fico mais e mais desapontada, pois quero muito muito
conhecer-te… Esqueço-me apenas de um pequeno detalhe: não vens no “meu” tempo,
mas no “teu” tempo!
Refletindo sobre as minhas
emoções e expectativas, posso afirmar que foste e és muito desejado na nossa
família! Com muito amor foste falado, imaginado, planeado e concebido. Com
muito amor vivemos 38 semanas acompanhando um crescimento exterior de uma
barriga, reflexo do crescimento de um ser vivo: tu! Com muito amor fizemos
muitas ecografias apenas pelo prazer de te ver! Com muito amor frequentamos
aulas de preparação para o parto e aprendemos o que fazer na hora certa! Com
muito amor escrevemos o nosso plano de parto, decidindo dar-te as boas-vindas
num meio o mais parecido possível com o que conheces: a água. Em muitas
culturas, e mesmo na Bíblia, a água é símbolo de vida, de [re]nascimento! Por
isso é tão importante para nós que te recebamos com a maior naturalidade possível,
pois é no momento drástico do parto que a tua existência começa neste mundo
exterior. Queremos recordá-lo com emoção e como sendo o momento mais feliz das
nossas vidas!
A todas as futuras mamãs:
escolham como querem ter os vossos filhos e munam-se das ferramentas
necessárias para o conseguir! Informem-se junto dos que sabem, aconselhem-se
com várias pessoas: enfermeiras parteiras, médico de família, obstetra que vos
segue a gravidez, amigos que já passaram pelo mesmo. Leiam sobre os benefícios
e desvantagens de todos os métodos e escolham conscientemente. Façam o vosso
plano de parto! Afinal, este momento é o vosso e ninguém vos deve negar vivê-lo
como o planearam!

Adorei!
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