quarta-feira, 19 de março de 2014

De Coração para Coração - parte 2


Ainda o teu corpinho não estava formado, já os nossos corações batiam, em sintonia perfeita. O teu ritmo acelerado mostrava a força que tens! Mostrava a vontade que tinhas de viver… de te desenvolver… de crescer para nos preencher a vida! Mostrava que, mais do que uma cara, um nome, um corpo, uma inteligência, a vida se gera pelo amor!

Quando ouvi este rápido “cavalgar” do teu coraçãozinho tão pequeno como um grão de arroz, emocionei-me. Os meus olhos se encheram de lágrimas, a minha garganta se fechou de felicidade! Como era possível que já existissem dois corações dentro do meu ser, 8 semanas depois do primeiro beijo entre o meu óvulo e o espermatozoide do papá? Como era possível comunicarmos, já, de coração para coração?

Saí do Centro de Saúde ainda com lágrimas nos olhos e pensei… pensei muito no milagre que acabara de acontecer!

Confesso que a notícia de “estarmos grávidos” não foi tão emocionante como eu sonhava que seria… Não chorei, não gritei de alegria, não me abracei ao papá como pensava que o faria. Fiquei muito feliz, mas um pouco “anestesiada” emocionalmente. Estranho, não é? Estranho porque muitas vezes chorei descontroladamente quando as pinceladas vermelhas surgiam depois de um longo período de tempo na esperança que “fosse desta”. Estranho porque foste tão desejado, tão ansiado, tão esperado por nós… Simplesmente estranho o modo como as nossas emoções funcionam e nos surpreendem…

No entanto, quando ouvi o teu coraçãozinho “cavalgar”, cheio de vitalidade e energia, a anestesia perdeu o seu efeito e as emoções tomaram conta do meu ser! Ainda hoje, sorrio e choro quando recordo o momento mágico: o diálogo entre os nossos corações!

Antes de compreenderes a Língua Portuguesa, tu já decifravas a Linguagem do meu coração! Sabias que, quando batia acelerado, a tua mamã estava ansiosa, angustiada ou cansada. Sabias que, quando batia ritmadamente, a tua mamã estava feliz, bem disposta ou divertida. Que comunicação mais profunda poderá existir do que esta sinfonia de dois corações que se ouvem, se sentem, se envolvem, se seguem?

Do meu coração te digo que te amo mais do que a qualquer coisa nesta vida, pois és a personificação do AMOR, da cumplicidade, do envolvimento, da confiança entre dois seres criados para serem UM: TU!

 
Uma pequena carta ao meu filhinho, Gonçalo, porque embora os nossos corações batam em sintonia perfeita agora, um dia ele terá a sua identidade mais formada e precisará de ser recordado destes momentos em que comunicávamos de “coração para coração”…
 

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