Ainda o teu corpinho não estava
formado, já os nossos corações batiam, em sintonia perfeita. O teu ritmo
acelerado mostrava a força que tens! Mostrava a vontade que tinhas de viver… de
te desenvolver… de crescer para nos preencher a vida! Mostrava que, mais do que
uma cara, um nome, um corpo, uma inteligência, a vida se gera pelo amor!
Quando ouvi este rápido “cavalgar”
do teu coraçãozinho tão pequeno como um grão de arroz, emocionei-me. Os meus
olhos se encheram de lágrimas, a minha garganta se fechou de felicidade! Como
era possível que já existissem dois corações dentro do meu ser, 8 semanas
depois do primeiro beijo entre o meu óvulo e o espermatozoide do papá? Como era
possível comunicarmos, já, de coração para coração?
Saí do Centro de Saúde ainda com
lágrimas nos olhos e pensei… pensei muito no milagre que acabara de acontecer!
Confesso que a notícia de “estarmos
grávidos” não foi tão emocionante como eu sonhava que seria… Não chorei, não
gritei de alegria, não me abracei ao papá como pensava que o faria. Fiquei
muito feliz, mas um pouco “anestesiada” emocionalmente. Estranho, não é?
Estranho porque muitas vezes chorei descontroladamente quando as pinceladas
vermelhas surgiam depois de um longo período de tempo na esperança que “fosse
desta”. Estranho porque foste tão desejado, tão ansiado, tão esperado por nós…
Simplesmente estranho o modo como as nossas emoções funcionam e nos surpreendem…
No entanto, quando ouvi o teu
coraçãozinho “cavalgar”, cheio de vitalidade e energia, a anestesia perdeu o
seu efeito e as emoções tomaram conta do meu ser! Ainda hoje, sorrio e choro
quando recordo o momento mágico: o diálogo entre os nossos corações!
Antes de compreenderes a Língua
Portuguesa, tu já decifravas a Linguagem do meu coração! Sabias que, quando
batia acelerado, a tua mamã estava ansiosa, angustiada ou cansada. Sabias que,
quando batia ritmadamente, a tua mamã estava feliz, bem disposta ou divertida.
Que comunicação mais profunda poderá existir do que esta sinfonia de dois
corações que se ouvem, se sentem, se envolvem, se seguem?
Do meu coração te digo que te amo
mais do que a qualquer coisa nesta vida, pois és a personificação do AMOR, da
cumplicidade, do envolvimento, da confiança entre dois seres criados para serem
UM: TU!
Uma pequena carta ao meu filhinho, Gonçalo, porque embora os nossos corações
batam em sintonia perfeita agora, um dia ele terá a sua identidade mais formada
e precisará de ser recordado destes momentos em que comunicávamos de “coração
para coração”…
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