O primeiro trimestre da gravidez
é crucial para a evolução dos restantes dois trimestres. É a fase de tudo-ou-nada.
É quando acontecem a maior parte das perdas, das desilusões, das decisões de
continuar ou não com uma gravidez não planeada ou com uma gravidez de risco
para a mãe e bebé. É, também, a fase dos exames mais importantes, que ajudam
nessas decisões.
Existe uma bateria de exames que
é obrigatória para todas as grávidas. De facto, essa não deve ser preocupação
da grávida, mas deve ser recomendada pelos especialistas responsáveis por
acompanhar todo o processo de gravidez. Assim, no primeiro trimestre (entre as
11 e 13 semanas) é recomendado que se faça a primeira ecografia e o rastreio
combinado.
Para mais informações poderão
consultar os sites:
Rastreio pré-natal – http://saude.sapo.pt/saude-em-familia/casal-e-gravidez/gravidez-a-quem-se-destina-o-rastreio-pre-natal.html
Ecografias necessárias – http://www.paisefilhos.pt/index.php/gravidez/gestacao/247-ecografia-na-gravidez
É normal haver alguma ansiedade quanto a estes primeiros exames. Lembro-me de sonhar que o rastreio tinha indicado que haveria algum problema com o nosso bebé e que teria de optar por continuar ou interromper a gravidez. Foi um enorme pesadelo que, felizmente, não se tornou real. Lembro-me, também, de o meu marido perguntar ao médico que me fazia a ecografia se conseguia saber qual o sexo do bebé. Eu sentia que seria um menino, mas nada o poderia ainda garantir. Para grande desilusão, o médico disse que não conseguiria dar nenhuma certeza e que seria ainda cedo para tal conclusão.
A primeira ecografia é um momento único. Fizemos a primeira ecografia para definir o tempo real de gestação e prever quando faríamos os exames necessários. Na altura pensou-se que estivesse mais adiantada, mas a ecografia veio confirmar o contrário: em vez das 10 semanas (conforme as contas segundo a data da última menstruação), estava grávida de 9 semanas. É maravilhoso ter visto um pontinho minúsculo a mexer-se com tamanha vitalidade e ouvir o coraçãozinho pulsar apressadamente. Foi fantástico ter visto a vida a desenvolver-se dentro de mim! Confesso que não esperava que, desde tão cedo, a vida já se mexesse tanto!
| 9 semanas 0 dias |
Na ecografia das 12 semanas vê-se no ecrã do aparelho ecográfico um pequenino ponto em forma de feijão, ainda um pouco deformado e confuso, que não para de se mexer e parece que está a nadar num aquário. Nesta altura, em vez de 2, 44 cm (como na ecografia anterior), o bebé já tem 6,31 cm! É incrível a velocidade a que o feto cresce nesta primeira fase! Não admira os enjoos, o sono, a indisposição e falta de paciência! O nosso interior está a mudar a 1000 km/h!!
Esta ecografia é muito importante pois dá-nos a medida da translucência da nuca. Esta medida é fundamental para complementar os exames sanguíneos do rastreio combinado, e darão as probabilidades de anomalias no desenvolvimento fetal como Síndrome de Down, por exemplo.
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| 12 semanas 4 dias |
Às 22 semanas é altura de fazer a ecografia morfológica. Nesta ecografia a mãe e bebé são muito massacrados! Os médicos têm de ver cada detalhe do bebé, desde o coração, ao cérebro, às vertebras da coluna, dedos nas mãos e pés, medidas de todos os ossos, estômago, bexiga, olhos, etc. É uma ecografia extremamente importante pois verifica o funcionamento interno dos órgãos já formados no bebé! Agora consideravelmente maior, o bebé já não "nada" dentro da barriga da sua mamã! Em breve se sentirão os primeiros movimentos do bebé (por volta das 24 semanas), mas há mamãs que já o sentem nesta altura! Esta é, também, a altura de conhecer o sexo do bebé!
Confirmou-se: é um menino. Este menino já tinha nome ainda antes de ser feito: Gonçalo. Em baixo, algumas imagens do seu perfil e mão.
| 22 semanas 0 dias |
A próxima ecografia do plano médico será às 32 semanas, no entanto, alguns médicos fazem uma ecografia antes desse tempo para observar mais alguns detalhes, como a existência de orelhas e a posição do bebé. Na consulta das 28 semanas, o médico quis ver o bebé e fez uma rápida ecografia apenas para se certificar que o bebé tinha os pavilhões auriculares e qual a sua posição fetal. Confirmou-se o que tinha associado às movimentações agitadas que senti às 24 semanas: o bebé "deu a volta" e encontra-se em posição correta para "sair".
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| 28 semanas 0 dias |
Nesta altura, por opção própria, decidimos marcar uma ecografia a 4D (Centro ecográfico ECOX 4D, em Lisboa - http://www.ecox4d.pt/?gclid=CJvGsPKJob0CFYjLtAodgCoAQQ) para conhecermos o nosso Gonçalo. É uma experiência maravilhosa, pois podemos levar a família toda a assistir! O centro das atenções é o bebé e o ambiente criado para o conhecer é fantástico! Cá está um retrato do nosso simpático filhinho!
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Não é possível, no entanto, falar em exames, ecografias e rastreios sem falar em médico assistente! De facto, a escolha do médico responsável
por acompanhar a gravidez implica alguns aspetos a considerar, nomeadamente, a
CONFIANÇA, o PROFISSIONALISMO, o RESPEITO, a DISPONIBILIDADE e também um pouco
de CONVENIÊNCIA.
Comecemos pela CONFIANÇA. Este é
o principal elo que liga a grávida ao médico. Acima de tudo, a grávida tem de
confiar nas decisões, sugestões e recomendações do médico ou enfermeiro que a
segue, seja em consultório privado ou em Centro de Saúde público. Poderão
surgir situações em que decisões devem ser tomadas quanto a medicação, exames
extra, suplementos ou algumas medidas a tomar. Nessas alturas, se a grávida não
confiar no seu médico, poderão haver danos para o bebé e para a mãe.
Por exemplo, no início da minha
gravidez (por volta das 12 semanas), devido ao meu trabalho com crianças
pequeninas, apanhei uma Bronquiolite. Tinha muita tosse e alguma falta de ar.
Falhou-me a voz e estava a iniciar alguns picos de febre. Liguei à minha médica
para pedir a sua opinião. Tinha muito receio de tomar qualquer fármaco, mesmo o
famoso e supostamente inofensivo Ben-U-Ron. A médica mandou-me ir ter com ela
ao consultório e observou-me. Auscultou-me e prescreveu um antibiótico. Entrei
em pânico… “Antibiótico?? Não! Uma grávida não pode tomar dessas coisas!”,
pensei. Enquanto a médica me passava a receita, perguntei timidamente: “Doutora,
eu sei que parece meio tolo o que vou perguntar, mas o antibiótico não vai
fazer mal ao bebé?”. A médica baixou os óculos, olhou para mim e sorriu,
respondendo: “Acha que eu iria dar alguma coisa que faria mal ao bebé? Você é a
incubadora, e se a incubadora não está bem, como é que o bebé se pode desenvolver
bem? Se a mamã não faz uma boa oxigenação, o bebé não recebe bom oxigénio e
isso pode prejudica-lo. Prefere isso ou o risco mínimo de tomar o antibiótico?
Além disso, o medicamento que lhe estou a prescrever não ultrapassa a barreira
da placenta, portanto, é inofensivo para o bebé.” A sua resposta
tranquilizou-me. Fiz a medicação como prescrita e melhorei substancialmente!
Em suma, a uma boa dose de
confiança deve juntar-se uma pitada de compreensão e uma boa dose de paciência
por parte dos médicos, para informar, explicar e tranquilizar a grávida.
O segundo aspeto, o PROFISSIONALISMO,
relaciona-se com o anterior. O médico que escolhemos como assistente da
gravidez deve ser alguém com boas referências e em quem reconhecemos a
autoridade necessária para tomar o comando técnico deste processo. Deve ser
alguém com alguma experiência, mas também com a empatia necessária para que a
grávida se sinta confortável para partilhar sentimentos, receios, dúvidas e
situações.
Consequentemente, se houver
confiança e uma atitude profissional da parte do médico, surge o RESPEITO. Este
respeito deve ser, contudo, bilateral. Ou seja, se a grávida deve respeitar o
médico e as suas decisões, o médico, por sua vez, deve respeitar as dúvidas da
grávida, os seus receios, as suas expectativas e desejos quanto ao modo e local
onde quer fazer o parto. Mesmo que partilhem ideais e convicções diferentes,
devem respeitar-se e, em última instância, deve ser a grávida a comandar as
suas decisões quanto ao parto, criopreservação das células estaminais do seu
bebé ou amamentação.
A DISPONIBILIDADE é um elemento
muito importante em todo o processo da gravidez. Sempre que possível, a grávida
deve ter acesso ao contacto direto com o médico (seja por telefone, email,
consultório, etc.). Podem surgir emergências e a necessidade de pedir uma
opinião de “última hora”. Nessas alturas, é bom ter um fácil acesso ao médico
e, para tal, é fundamental este estar disponível.
Por exemplo, às 24 semanas senti
um enorme “turbilhão” dentro de mim. O Gonçalo não parava de se mexer. Mexeu
tanto que interferiu no meu sistema digestivo e deixou-me com dores no baixo
ventre. Continuei a trabalhar, sem atribuir muita importância ao sucedido.
Apenas pensei que o meu filhinho já tivesse “dado a volta” e acomodado para
poder “sair” mais tarde. Nessa semana continuei com dores, as quais se
intensificavam e me deixavam a barriga muito dura, sobretudo no final do dia e
nos momentos em que me tinha de sentar no chão e levantar. Decidi telefonar
para o consultório da médica, para lhe pedir opinião acerca do que se estava a
passar e depressa me informaram que a Doutora estaria de serviço no Hospital.
Assim, dirigi-me às urgências de obstetrícia depois de um dia normal de
trabalho, para lhe pedir opinião. Após alguns exames, a Doutora observou-me e
verificou uma grande pressão no colo do útero. Não gostou do que observou e
passou-me uma baixa por gravidez de risco.
Se não houvesse disponibilidade
da parte da médica para me observar nestes momentos, correria o risco do
Gonçalo ter tentado nascer muito antes do tempo em que pode um bebé sobreviver
fora do útero materno.
Finalmente deve ser tido em conta
o aspeto da CONVENIÊNCIA. Com este termo abranjo vários aspetos: a existência ou
não de acordos com seguros de saúde, ADSE ou apenas o benefício da isenção
atribuída pelo Sistema Nacional de Saúde; a proximidade da clínica ou centro de
saúde; o conhecimento prévio do médico; a facilidade de acesso; o objetivo
final de onde e como se pretende o parto (no caso de querer ser assistida num Hospital
Privado ou Público) e o método de parto pretendido (por exemplo, se quiser um
parto na água apenas será possível no Hospital de São Bernardo, em Setúbal – na
área de Lisboa/Centro Sul).






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