À medida que o “momento final” se
aproxima, sinto a necessidade de partilhar algo que me tem incomodado.
Talvez algumas mães se tenham
esquecido das emoções sentidas e vividas quando esperavam que o seu bebé
estivesse pronto para conhecer este mundo, mas para mim que estou nessa fase é
uma total novidade.
Quando idealizava ser mãe, nunca
imaginei que pudesse ser assim: uma constante montanha russa de receios,
sentimentos mistos, desejos, sonhos, esperanças, alegrias, ansiedades, dúvidas,
certezas… Idealizava um romance em que a barriga crescia simplesmente, nós
íamos sentindo o bebé, um amor e felicidade incondicionais, um paraíso na
terra. Não me lembrei que um filho é uma tremenda responsabilidade! Que à
medida que a barriga cresce e o bebé vai “descendo” aumentam os desconfortos,
as dores, o mal estar, a falta de sono descansado. Não pensei que à medida que
o “Dia D” se aproxima aumentam as incertezas, os receios de não saber
identificar os sinais da sua vinda, o medo de não estar à altura da função de
mulher que pare o seu filho, do cargo de mãe que entende as necessidades do seu
filho e responde adequadamente ao que ele precisa! Não me lembrei que vão
aumentando as dúvidas e preocupações: será que vou conseguir educar o nosso pequenino
de modo a que possa fazer as suas escolhas de modo consciente quando crescer,
de modo a não se envolver em caminhos perigosos de drogas, violência,
intolerância? Será que irá gostar e orgulhar-se da sua mãe? Será que conseguirei
respeitá-lo na sua individualidade e não querer que corresponda às minhas
expectativas para ele? Será que vai ser um bebé, criança, adolescente, jovem e
adulto feliz?
Todos estes aspetos ficaram no
baú quando pensava em ser mãe. Apenas pensava que a barriga cresceria, o bebé
nasceria (sem ter consciência de todo o processo), que o seguraria nos meus
braços, daria de mamar, contaria histórias e ensinaria a brincar. Esqueci-me
que o mundo está cheio de doenças, de maldade, de gente aproveitadora, de
ganância… esqueci-me que o meu bebé que agora está tão protegido do frio, do
calor, das alergias, dos micróbios, das doenças, iria e irá ser atacado por
tudo isto assim que der o seu primeiro suspiro até ao seu último! Nunca pensei
que ele pudesse partir antes de nós (pois muitos filhos partem inesperadamente
antes dos pais e pelos motivos mais surreais)! Nunca pensei na dor que iria
sentir cada vez que ele ferisse o seu joelho, cada vez que gemesse com cólicas
ou cada vez que lhe custasse a respirar por uma bronquiolite. Nunca pensei que
choraria sempre que um colega o ofendesse e magoasse, que me angustiaria sempre
que namorasse com alguém que não o respeitasse ou o contrário. Que poderia
desiludir-me com os seus comportamentos na escola, com o seu mau humor ou
temperamento forte. Que surgiriam discussões, argumentos, saídas de casa,
férias com os amigos (onde nunca se sabe o que acontece, mas momentos por que
todos já passamos e nos assustam de pensar nisso)… Que um dia iria sair de
perto de mim, não querer mais estar com a mãe para querer passar o resto da
vida perto de alguém que ele escolhesse… e se essa escolha não fosse a “minha”?
Como lidaria com uma pessoa que não gostasse?
Parece até um pouco exagerado,
mas estas são dúvidas, receios que sinto à medida que o Gonçalo se vai encaixando
dentro de mim e “cavando” o caminho de saída para este mundo!
Quanto mais aproxima a hora em
que o irei conhecer pessoalmente, maior parece o “adormecimento” ou “despertar”
das minhas emoções. Tenho momentos em que me emociono francamente e choro por
todos os motivos já expressos. Tenho outros momentos em que pareço estar
“adormecida” e não querer sequer pensar em nada. É uma sensação estranha,
ambígua, confusa… Por vezes penso não ser boa mãe por causa disso… Serei
normal? Pelo que entendo, há um grande entusiasmo em todas as mães para
conhecer os seus bebés… eu mesma o sentia há alguns meses atrás. Onde foi parar
este entusiasmo? Por que me sinto tão confusa e amedrontada?
“É tudo normal”… mas não vem no
“Manual da Vida”! Não é falado, partilhado, comunicado…
Antigamente as mulheres viviam em
grandes comunidades. Partilhavam situações, emoções, vivências, experiências.
Atualmente vivemos em caixinhas individuais. Encontramo-nos esporadicamente
para um café rápido. Trocas de experiências superficialmente partilhadas pois o
tempo não permite desenvolvê-las até atingirem o seu clímax emocional… Mas faz
falta! Faz falta a honestidade, a partilha completa entre grávidas que passam
pela mesma fase pois uma vez que o bebé nasce muitas dessas dúvidas se dissipam
das nossas memórias. Viramos guerreiras ferozes que protegem os seus bebés!
Viramos leoas que atacam à primeira ameaça à sua cria! Somos super-mulheres que
se abstraem das dores das suturas e se deslocam o mais depressa possível até
aos seus bebés que choram para suprir as suas necessidades! Somos fontes de
alimento, de carinho, de segurança… Somos um poço de amor sem fundo que não se
importa de cheirar o odor fedorento resultante de uma boa digestão… que não se
importa de limpar um jato de leite que sai disparado após a mamada… que não se
importa de não dormir para embalar o seu pequenino… Mas faz falta relembrar que
antes de o ter nos braços esta super-mulher se sentiu a pessoa mais frágil no
mundo: uma rosa sem espinhos que enfrenta um predador desenfreado.
Por isso deixo este desabafo.
Partilho o que me vai na alma, não obstante as suas consequências.
Ser mãe não é, certamente, um
caminho fácil! É uma jornada que se inicia num desejo e nunca mais termina. Nem
com a morte.

Ser mãe é tudo o que acabaste de dizer e muito mais!!é uma força interior que não sabemos muito bem de onde vem mas que ela existe ,existe!!Naquela horinha é preciso estar calma, respirar fundo,que tudo acontece !!A mãe natureza trata de fazer o resto,o que é preciso é acreditar que no momento certo vai corre tudo bem!!beijinhoss grandes e tudo de bom!Algo que precises estarei aqui,Dalila
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